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RECEITA CASEIRA PARA CURAR ESPINHAS

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      Depois de adulta, deu-me para nascer umas espinhas gigantescas na face. Daquelas vermelhas que explodem como champanhe e liberam um caldo viscoso e amarelo. Assusta, porque cabe em seu interior uma cabeça de fósforo inteira!
      Comprei uma pomada pra bundinha de neném porque me disseram que era muito boa. Usei uma semana, sempre a noite, conforme me recomendaram, e eu ia ficar com a pele do rosto parecendo bundinha de neném. Consegui ficar com o rosto assustadoramente branco e nem me dei conta que nem todo neném tem a bundinha lisinha como eu queria que meu rosto ficasse.
       Certo dia, eu acordei com a pomada na cara e, sem querer, me deparei com o espelho na penumbra da noite. Pensei que fosse um fantasma, voltei correndo para a cama e cobri a cabeça e tudo, estremecida de medo. Pela manhã, olhei no espelho de soslaio e lá estava o fantasma: eu mesma com uma companheira-monstra ao meu lado, uma espinha enorme no meio dos dois olhos. Se eu fosse esotérica, essas coisas, acreditaria no poder do terceiro olho e ficaria contente por poder visualizá-lo, mas eu não era. Decidi não usar mais a pomada daquele dia em diante.
      Sem solução para o meu problema com o uso da pomada, comprei um kit com sabonete, loção adstringente e um gel secativo para as minhas malditas amiguinhas inseparáveis. Usei uma vez. Se alguém quiser de presente, está disponível porque o máximo que consegui foi gastar trinta reais e ficar com o rosto todo empipocado de alergia e ressecado do álcool que a loção continha, embora estava escrito lá na embalagem que era livre dessa substância. Vai saber! Só então decidi consultar uma dermatologista porque ela deveria me dar uma solução definitiva e, aliás, não é comum uma mulher da minha idade ficar ostentando nas ruas espinhas como uma jovem adolescente.
       Lá se foi uma fortuna só na consulta para depois a mulher me passar uma pomada branca para eu usar antes de dormir. Pensei no fantasma que me assombrou. Ainda bem que sou solteira. Já pensou alguém acordar com um fantasma deitado ao lado. Deve ser por isso que muitos maridos morrem do coração durante o sono.
       Eu já estava predisposta a não usar a pomada, quando vi o preço, então...
       - Vixe Maria, cento e quanto?
       Deixei a pomada na loja e saí de lá exibindo a minha inseparável espinha esverdeada.  No caminho, decidi passar na manicure. Eu estava ansiosa para voltar para casa logo, me olhar no espelho e espremer aquela espinha enorme só para sentir o caldinho escorrer pelo meu rosto, e acho que por esse motivo vez ou outra eu dava uma puxada involuntária na mão. De repente, a manicure tirou um bife enorme do meu dedo. Aquele bife salvou a minha vida porque ela passou um pozinho ali que parou na hora o sangramento do local e fechou a feridinha imediatamente. Fui querer saber o que ela usou, é claro. Vai que funcionava com minha espinha.
        - Ah, é pedra hume, ó.
         Saí de lá confiante de que aquela pedra, que na verdade era um pozinho esbranquiçado, resolveria todos os meus problemas. E comprei a dita cuja, que me custou apenas umas duas ou três moedas das grandes. Cheguei em casa e fui direto ao banheiro. Imediatamente, ao embeber o pozinho em água e espalhar sobre meu rosto com um algodão, senti a pele repuxada. Devia ser bom. Eu não precisaria nem mais me preocupar com botox. E foi bom mesmo.
         Fiquei até com saudades das minhas amiguinhas porque depois de certo tempo de uso, elas desapareceram da minha face. Então comecei a tecer hipóteses sobre o funcionamento daquela substância milagrosa.
        Joguei um pouquinho dentro do meu desodorante. Deve secar o suor. E não é que deixava o meu braço sequinho o dia todo? Sequinho e áspero como uma lixa de unha. Então eu até economizava coçando as axilas pra me livrar daquela coceirinha que deu. Deve ser bom para manter o tênis sem chulé. E joguei um punhadinho em cada um dos meus tênis. Será que é bom para caspa? E lá vai eu agitar o potinho de xampu com o troço dentro.
         Aos poucos percebi que estava usando aquele produto em meu corpo inteiro. Esfrega daqui, passa de lá. Ainda bem que a manicure não passou enxofre ou qualquer outra substância fétida no meu dedo naquele dia. Eu usaria com o maior prazer e nem ligaria para o cheiro nem nada. Dizem que essas coisas são psicológicas. O fato é que eu acreditava no poder mágico daquela substância. E funcionava comigo que era uma beleza.

Criado em 29/08/2008  por Solange Lima



OBRIGADA A TODOS QUE VISITARAM MEU SITE.
*obs.: Cuidado, este texto é apenas uma crônica. Se você é daqueles que vai passando tudo pra ver se funciona, não vai fazer o teste.
Desculpem por não ser uma receita verdadeira, mas bom humor tbém ajuda a curar espinhas.

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Langeli
Enviado por Langeli em 29/08/2008
Reeditado em 18/01/2011
Código do texto: T1152363
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Langeli
Campinas - São Paulo - Brasil, 34 anos
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