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Qual o sentido da vida se os mortos são todo...

Qual o sentido da vida se os mortos são todo o sentido prá vida?
A igreja sempre se alimentou de seus mortos para dar de comer aos pobres de espírito.
Os derrotados invejam os ídolos, que eles ostentam em altos nichos, como seu ganha pão
fortuito, roubando-lhes a alma pela certa. Mas os poetas, estes sublimes seres, que não
precisariam de nada, senão de sua recusa permanente, serem também eles aduladores
e adoradores de mortos, não, recuso-me a aceitar tal afronta. O poeta é um egoísta por
natureza mas é acima de tudo um sábio, como pode ele assim amar a um morto se ao vivo não lhe concede honrarias?
 
É muito fácil confundir o que é o gosto pessoal do sentido do dever. E ainda que não esteja implícita essa forma de estar, de alguns poetas, é por demais evidente o quanto estes já falham, quando, ao invés de fazer subir aos píncaros os poetas vivos, usam dos meios ao seu alcance, para mostrar as "máximas", dos que já não são de entre nós. E eu pergunto, que têm as "máximas" dos vivos, dos poetas, do vosso dia a dia, daqueles que vos sustentam a alma, de forma absoluta, que vos envergonhe tanto, ao ponto de lhes dedicardes míseras migalhas do vosso tempo, comparando-as com toda a fleuma usada para com as "obras" dos mortos, que assim dais a mostrar?
 
Nunca me convenceram - e tenho para mim que não há quem o consiga - de que a minha poesia, poema ou  prosa, verso ou filosofia, ensaio ou crónica, simples palavra ou frase absoluta, soneto ou puro lirismo tenha menos valor, que a mesma arte nas mãos de um chamado poeta consagrado.
 
Mas falemos de prioridades, e eu sou prioridade, eu sou o poeta vivo, portanto sou eu que sou para ser lido, elevado, incitado ao trabalho, comprado, vendido, não o que está morto, para esse existem as editoras, as concessionárias e os seus jogos de bastidores... Não quero isso, nem para mim nem para os meus leitores, mas que me leiam agora e que eu publique os meus livros, quando morto esqueçam o meu nome.
 
Espero tudo das pessoas, do poeta tudo menos senso comum.
 
Jorge Humberto
16/04/05
Jorge Humberto
Enviado por Jorge Humberto em 16/04/2005
Código do texto: T11598
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Sobre o autor
Jorge Humberto
Portugal, 50 anos
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