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Vão Bora, Pai!

             Chicão trabalhava com a máxima dedicação, entregando batatinhas no comércio, durante a semana. Ganhava o “pão de cada dia” com o suor do seu rosto alegre. Esposo amoroso, bom pai, filho exemplar. Homem bem humorado. Creio que reuniu todas essas virtudes com a sabedoria de reservar o sábado para o descanso e o lazer.
Chicão tinha endereço certo para o sábado gordo: o alpendre da casa do amigo Sebastião, que o esperava com mais três companheiros para o sagrado truco. A tiracolo sempre levava o filhinho de oito anos. E completavam aquele time que era a pura animação.
Os jogadores se concentram. O truco começa. Enquanto isso, o menino se ajeitava, por ali brincando, correndo, aparentemente desligado do jogo dos adultos. Aparentemente, pois as antenas estavam ligadíssimas.
Como o menino Manuelzinho conhecia as cartas! Percebia claramente quando o adversário de seu pai estava com carta boa, sete copas ou zap, e seu pai ruim de carta.  O adversário gritava:
           — Truco!
           Manuelzinho entrava em cena com a sua senha:
— Pai, vão ‘bora! Pai, a mãe ‘tá sozinha!
Chicão não aceitava a chamada e perdia só um tento. Manuelzinho acalmava e por ali continuava a brincar.
No momento em que o jogador da frente trucava em falso, o garotinho falava:
— Pai, só mais essa. Depois nós “vão” ‘bora!
Chicão, conhecedor desta senha, aceitava o truco. E ganhava os pontos.
E as duplas de perdedores nunca descobriram a tamanha e criativa artimanha de um pilustrica. Quando eles iriam imaginar que o pequeno fosse bom entendedor do jogo de truco? Além de um acabado ardiloso!?
Chicão e seu parceiro continuaram por um bom tempo imbatíveis no truco. Entretanto o sucesso, com toda segurança, se mantinha graças ao peralta da melhor espécie, o Manuelzinho.
            Como o jogo era jogo, brincadeira, ingenuidade, o garoto não se tornou um jogador de cartas contumaz. Nem baralho possui. É um cidadão nota dez. Amigo de todos, em paz com a vida. Orgulho do Chicão.


fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 02/03/2006
Reeditado em 28/01/2011
Código do texto: T117877
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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