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PARA O CÃO DA MINHA VIDA

             Todos temos o nosso tempo aqui na terra, sejam  os animais racionais ou os irracionais. Alguns - dentre os irracionais- conseguem ser mais
racionais do que nós, humanos. Os cães  são amigos de verdade e  porisso
têm menos tempo do que nós neste mundo. Eles se doam mais, participam dos
nossos problemas e nos dão todo o carinho de que precisamos. Quando estamos sós, vêm nos fazer festa, com lambidas de carinho e o significativo abanar da cauda... Às vezes nos mostram que precisam de nós, só para que esqueçamos um pouco dos embates a fim de que não nos sintamos perdidos, abandonados...
        Acho que Deus lhes deu esse tempo mais curto exatamente para que
descansem, pois estão sempre dispostos a nos consolar... E por várias vezes
nos esquecemos deles e de que também têm seus problemas. Com gatos,
pássaros, moscas... ou saudades de um de nós...
        Mas, uma coisa é certa: todos eles, quando se vão, já têm seu lugar
privilegiado no céu para nos esperar e nos dar as boas vindas com a mesma
acolhida que sempre estávamos acostumados a ter. Portanto, não fiquemos tão tristes quando  nossos cães, que tanto adoramos, embarcam no navio da
eternidade. Pois  sabemos, com certeza,  que eles se foram, mas que também
estão nos esperando de "patas abertas" para nunca mais se separarem de
nós...
        Acho que  se encararmos assim a morte dos nossos amigões, a vida nos
pesará menos nessas horas tão desoladoras. E o sofrimento tornar-se-à mais
suportável! Porque nunca penso na morte como sendo o fim de tudo, mas sim,
como um futuro "até logo". Afinal, o ciclo continuará e o amor jamais há de
morrer! Agora que está fazendo quase um mês que você se foi, meu querido
Bax, sinto uma saudade enorme daquele seu jeito terno de me olhar... Daquela
alegria que demonstrava vivamente quando me via... Da expressão ansiosa do
seu rosto quando, separado de mim pelo portão do canil, me observava na
piscina, quase pedindo para ir junto! Uma semana antes de "partir", fui
chamá-lo. Mas você não veio. Esperei um tempinho, pensando que estava
acomodando as patas traseiras (já quase atrofiadas pela displasia), como
fazia de hábito, para muito lentamente caminhar e chegar até mim. Naquele
dia esperei em vão e fui atrás de você. Quando o encontrei, partiu-me o
coração... Deitadinho, respiração ofegante, olhar triste e cansado, fez
menção de se levantar. Mas não conseguiu... Numa última e dolorosa
tentativa, rastejou até bem perto de mim e, num extremo sofrimento,
levantou-se indo para o "seu cantinho". Lá caiu. E lá ficou por sete dias e
sete noites. Nunca mais se levantou! Apenas balançava a cauda discretamente, como a dizer: estou feliz em vê-la! Finalmente o momento mais difícil chegou. Eu o amava muito para ser egoísta e mantê-lo sofrendo... A decisão foi tomada: você merecia descansar o sono eterno! Quando voltou do veterinário, já dormindo para sempre, não quis vê-lo. Pedi que o enterrassem no jardim, lá perto da piscina que tanto observava quando nos via nadar... Hoje o "seu cantinho" no canil está vazio. Mas quando olho para ele vejo você. Brincando com a bolinha de tênis de que tanto gostava, ou comendo com alegria a sua ração preferida. E mais uma vez vem a certeza de que você não morreu e que apenas está em algum lugar do céu esperando por nós!

                                                 
Miriam Panighel Carvalho
Enviado por Miriam Panighel Carvalho em 18/04/2005
Código do texto: T11890
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Sobre a autora
Miriam Panighel Carvalho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
87 textos (22592 leituras)
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Miriam Panighel Carvalho