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VAMOS FICAR, OU "FICAR"?

Existe uma diferença fundamental entre
ficar amando e amar "ficando"...
Osculos e amplexos,
Marcial

VAMOS FICAR, OU “FICAR”?
Marcial Salaverry
 
Existe uma grande diferença na maneira de se expressar o amor de antigamente, e na atualidade.
Hoje em dia, com a maior facilidade do mundo declara-se amor. E, como forma de amar, dizem que “estão ficando”. Antes, não era assim, pois para alguém dizer EU TE AMO, demorava muito. Pode ser que tenham mudado os sentimentos, mas penso que não, pois o amor é um estado de espírito, sublime, divino até, e não pode ser levado na brincadeira, como se faz hoje em dia.
Bem, pode-se dizer que o diferencial está justamente no recato feminino de antigamente que determinava a demora nas declarações de amor.  Os homens, com medo de levar um “fora”, não se atreviam a certas liberdades não permissíveis às “moças de boa família”.
Contudo, os anos 60, com a luta das feministas pela liberdade sexual, começaram a deturpar um pouco as coisas.  E, por exemplo, a virgindade, que era um dos tabus de antigamente, passou a ser considerado um estigma.  As moças tinham vergonha de se declarar virgens. E assim começou a mudar a coisa.  Até chegar aos dias de hoje...
 Pode-se dizer que no meio destes sentimentos enganosos, não se ama de verdade. Apenas FICA-SE... Por vezes, fica-se o tempo suficiente para se mascar um chiclete e, logo, sem qualquer problema, uma vez terminada a “experiência”,  cada qual para seu lado e pronto. O chiclete logo perde o sabor e é cuspido, por ter perdido o sabor. Bocas foram beijadas e “vamos em frente que atrás vem gente...”.
Antigamente começava-se um namoro, e antes de se conhecerem “internamente”, os namorados se conheciam “externamente”. Eram aqueles namoros de mãos dadas.  Pouca intimidade, os parceiros iam se conhecendo aos poucos, o amor ia se sedimentando, criando alguma base.  Sexo? Só depois de muito tempo e, geralmente, após o casamento.  Havia a ilusão da “Noite de Núpcias”... Lembram-se?  Como era aguardada, e  com que ansiedade esperava-se pelo momento da entrega total.
Antes, não se mascava o chiclete, ficava-se  saboreando um chocolate, cujo  sabor é mais acentuado, marca mais.  O chiclete, depois de mascado é jogado fora, pois perde o sabor. Já o chocolate, ao contrário, é digerido, alimenta, e seu sabor permanece na boca.
A diferença que fica é exatamente essa.  O amor atual é descartável, vai se provando até acertar com alguém. E se não acertar, não tem importância, pois o que conta é a quantidade de “caças abatidas’.  E esse pensamento não é machista, não... Muitas meninas também pensam assim.  Declaram abertamente que saem, para disputar quem ”fica” mais até o fim da noite.
Antes, meninas que namoravam com muitos eram mal vistas, e rotuladas como “galinhas”.  Hoje, o demérito é para as que namoram pouco, ou com poucos. O que mudou, não foi o amor, foi a maneira de encará-lo.  Uma expressão muito usada, é o “fazer amor”... Gente, amor não se faz, ele surge, é produto de um sentimento gostoso entre duas pessoas. O que se faz, se pratica, é o ato sexual, que pode perfeitamente ser feito sem amor. É o chiclete. Masca-se, sabe-se o sabor, e cospe-se (literalmente).
Sem dúvida alguma, as coisas eram bem diferentes, e o amor melhor e mais bem vivido,  e saibam que  isso não é saudosismo de idoso... É apenas uma constatação real. O amor não mudou... Continua sendo o mesmo... Pelo menos para as pessoas que tem a sorte de ainda ter um espírito romântico.  Que não tem essa urgência toda de viver o que se julga ser o amor.  Que ao invés de amar “ficando”, fica amando... Que não faz do amor um diálogo mais ou menos assim: “E então, como ficamos?. “Ficamos”?
Vamos tentar resgatar o romantismo de antigamente. Dentro de nossa época atual mesmo, existe lugar para o romantismo... É só procurar saborear o chocolate, sempre  lentamente, sem pressa, sentindo bem seu sabor.  Assim saboreia-se o amor. Assim, fica-se saboreando, e não apenas, “fica-se”.
Experimentem como é gostoso esse sabor. O sabor do amor.
Bem... com essa idéia na cachola,  espero que todos fiquem em  UM LINDO DIA.
 
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Marcial Salaverry
Enviado por Marcial Salaverry em 09/03/2006
Código do texto: T120812
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Sobre o autor
Marcial Salaverry
Santos - São Paulo - Brasil, 77 anos
19840 textos (1961354 leituras)
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6 e-livros (2134 leituras)
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Marcial Salaverry