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As derrotas que são vitórias

Esta história quem contou foi o Gerson, um homem batalhador. Três filhas e um filho, no segundo casamento. Feliz, no momento sem emprego.
O filho caçula adora futebol, saiu ao pai e ao avô. Joga bem, pratica desde pequeno, hoje tem 13 anos.

Sábado era dia de jogo em São Leopoldo, final de campeonato e ele, Deivison, prometeu vitória na certa. Foi antes do pai, com o time.

Quando Gerson chegou no estádio ficou surpreso com o público presente, árbitro e bandeirinha davam um caráter oficial à disputa. O estacionamento completamente lotado forçando muitas pessoas a estacionarem em ruas laterais e correrem para não perder o início da partida. Jogadores concentrados no vestiário. Nas arquibancadas torcidas organizada, batucada, foguetes.

Gerson passou para avisar e desejar boa sorte, tudo certo. Entraram em campo sob forte saudação. Deivison com a braçadeira de capitão, cabeça erguida, um gigante. O juiz apitou dando início a partida e ele mostrou porque é capitão. Gritava e indicava as jogadas para seus
companheiros, alertava, reclamava com a arbitragem.

Mas o jogo foi ficando difícil, o adversário era bem encorpado, todos fortes e ágeis o que acabou culminando no seu primeiro gol. No segundo tempo mais pressão, a bola não saia da área e veio o segundo gol.

O gigante ficou pequeno, tímido, olhava para todo aquele povo e ainda gritava tentando incentivar o time. Subiu ao ataque, tentou e por pouco não conseguiu aproximar o placar.

No desespero pelo gol fez uma falta forte e tomou cartão vermelho. O jogo terminou 2 x 1 com Deivison e o resto do time chorando ao sair de campo. A torcida de coração partido aplaudindo e tenteando incentivar os jovens atletas.

Gerson esperou alguns instantes para que as coisas se acalmassem e os amigos pudessem conversar dando vazão a sua tristeza e foi ao vestiário encontrar o filho.

Num banco, ainda de uniforme estava Deivison, olhos vermelhos, cabeça baixa. Ao ver o pai levantou depressa, sorriu e disse:
- Pai, da próxima vez vai dar.
É por essas e por outras tantas que tenho certeza - pai às vezes é filho e filho às vezes é pai.

Gerson é meu irmão e o Deivison meu sobrinho, claro.
Na vida, minha família nem sempre está na primeira divisão mas não perde a vontade de jogar e vencer.

Desejo a todos boas lutas e lindas vitórias!
Ana Mello
Enviado por Ana Mello em 09/03/2006
Reeditado em 09/03/2006
Código do texto: T121042
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Sobre a autora
Ana Mello
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 55 anos
142 textos (24289 leituras)
2 e-livros (859 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 16:03)
Ana Mello