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Sexo e seus tabus

Pausânias, na sua descrição de Tebas, assinala várias estátuas de Vênus, da mais alta Antigüidade, pois haviam sido feitas com o lenho dos navios de Cadmo e consagradas pela própria Harmonia. "A primeira, diz ele, é Vênus celeste, a segunda Vênus vulgar, e a terceira é chamada preservadora. Foi a própria Harmonia que lhes impôs tais nomes para distinguir essas três espécies de Amores: um celeste, ou seja, casto, outro vulgar, ou seja, preso ao corpo, o terceiro desordenado, que leva os homens às uniões incestuosas e detestáveis. Era à Vênus preservadora que se dirigiam as preces para a preservação dos desejos culposos." (Pausânias). 

Segundo os livros sibilinos consultados pelos decênviros o senado romano ordenara a dedicação de uma estátua de Vênus vesticordia (convertedora), como meio de reconduzir as moças devassas ao pudor do sexo. (Valério Máximo).

Parece que até hoje, as lendas, os mitos, estão presentes quando o assunto é sexo. Outro dia fiz uma crônica SEXO é melhor com as "putas" onde o (tema), o assunto em si, resumia-se apenas no ato sexual. Porém, 80% das pessoas que leram (aqui no Brasil) não entenderam, ou não quiseram entender da forma como foi colocada a questão. Fiz a crônica sobre um artigo publicado numa revista de grande circulação, onde o tema era voltado para insatisfação das mulheres com seus parceiros sexuais segundo a personal sex trainer Fátima Moura, que dizia o seguinte: a principal causa de insatisfação na vida sexual é decorrência da falta de conversa entre os parceiros. Em seguida citei outro artigo do psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr, membro do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade (Cepcos) que dizia: erotismo e o prazer feminino têm um diferencial - elas buscam muito mais a estimulação dos sentidos e enxergam o ato como forma de amor. 
Pela experiência que adquiri durante anos de trabalho na área de consultoria e motivação de vida como palestrante, descobri que tinha que abordar o assunto sexo em minhas palestras, pois ele era um dos fatores essenciais no relacionamento do ser humano. Na minha visão, sexo é prazer, euforia. Amor é afeição viva, sentimento, é o abstrato oculto sentido na alma. Não é preciso ter amor para fazer sexo, como não é preciso fazer sexo para ter amor. São duas coisas distintas. Todavia, fazer sexo com quem ama, é o ápice do êxtase. Na crônica que fiz SEXO é melhor com as “putas” Quando eu digo que sexo é melhor com as “putas” não estou dizendo que sexo é melhor com as prostitutas. “Puta” é aquela que não tem pudor, que pratica o ato sexual sem fronteiras, sem tabus, sem preconceitos, sem restrições, que se entrega totalmente ao prazer em busca do orgasmo. Prostituta é aquela que faz do sexo um comércio, um trabalho, vende seu corpo em troca de alguns trocados. Por outro lado, os homens na sua maioria, procuram satisfazer suas fantasias sexuais com as “putas” porque com elas se sentem à vontade. E quando não tem a “puta” dentro de casa, ou como parceira, levam uma vida paralela com a “puta” vizinha, secretária, empregada e etc... Esta é a grande verdade em relação ao tema abordado. Recebi vários e-mails de pessoas querendo discutir o assunto com maior profundidade. Como recebi críticas também, uma delas inclusive dizendo que eu deveria ter publicado a crônica nos textos eróticos. (Era só o que faltava) Já escrevi aqui uma vez e vou lembrar novamente. Crônica para quem não sabe, é o relato da opinião do cronista sobre determinado assunto. Em sites literários como o Recanto, são os lugares apropriados para colocarmos temas polêmicos como este em debates. O debate enriquece o aprendizado e muitas vezes obtemos respostas para muitas dúvidas em discussões com esta. Mas, pelo jeito, acho que temos ainda muitos adeptos da Vênus vesticordia (convertedora), querendo reconduzir as moças devassas ao pudor do sexo, e outros devotos da Vênus preservadora, querendo conservar o tabu, o medo, a vergonha de falar sobre um ato sublime, que é a própria origem do ser humano.
Vincent Benedicto
Enviado por Vincent Benedicto em 10/03/2006
Reeditado em 10/03/2006
Código do texto: T121252
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Sobre o autor
Vincent Benedicto
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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