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SAINDO DO POÇO: O EGOÍSMO ESSENCIAL


“É preciso coragem pra recuperar seu instinto selvagem,
e não importa quantos vão se machucar,
e não importa quantos vão te escutar...”
(da música “Instinto Selvagem”, do Capital Inicial)



         Você já chegou ao fundo do poço? Já chegou a olhar para si mesmo e dizer “eu sou um lixo, a escória da humanidade, todo mundo é normal e só eu que não?”? Não, então você não tem idéia da oportunidade dourada que está perdendo. Se sua resposta, for sim, welcome to the club. O fundo do poço, acreditem, é um ótimo lugar para se estar. É só lá que você sabe quem é.
        Quando você chega ao fundo – e aqui, pausa: é fundo mesmo – você não tem escolha. Ou você se enterra nele e manda botar um belíssimo “Aqui jaz” com direito a coroa de flores ou você agarra na primeira pedra, no primeiro relevo das beiradas e começa o caminho pra cima. E aí, meu caro, é preciso coragem sim, como diz a música e também é preciso o tal instinto selvagem.
         Não, você não vai matar ninguém a facadas (ainda que alguns bem que mereçam) e tampouco vai virar canibal, embora seja de bom tom mastigar e engolir pra depois vomitar alguns pentelhos encravados que, com toda certeza têm muito prazer em vê-lo lá no fundo. Estou falando de outra coisa muito diferente. 
         O instinto selvagem a que me refiro e, imagino eu, a música também, é o que eu chamo de egoísmo essencial. Os mais religiosos e os mais hipócritas também, que me perdoem, mas sinceridade é fundamental. Egoísmo não é defeito nem pecado. Não ESTE egoísmo.
          Acredite-me: eu sei do que estou falando. Você não sai do fundo se não for egoísta o suficiente. Você não sobe se não encarar a dor e dizer :”é ela ou eu”. E claro, você precisa do egoísmo essencial para decidir que é você e não ela.
         E se você tiver que machucar alguém, como é que fica? Bingo. Eu sabia que alguém perguntaria isso. Se tiver que machucar, machuque. Se você deixar de dizer algo ou fazer algo por si porque não quer magoar este ou aquele, lamento informar: VOCÊ é quem vai se machucar. E feio. E ainda por cima vai querer cobrar com juros do outro depois. De novo: é o outro ou eu. De novo, creia-me: a escolha certa é você. 
          E se ninguém te escutar, e aí? Pergunta errada. Mas te devolvo uma resposta bem certa: ninguém tem que te escutar. Só você. E se você estiver mesmo se escutando vai dar uma banana pra quem está ou não te escutando. Você simplesmente bota no piloto automático, acende bem grande o letreiro do FODA-SE e canta pra subir. 
          Última coisa: não tem ninguém que vai te tirar do buraco. A única criatura que vai conseguir tirar você de lá é exatamente a mesma que te colocou lá dentro: você. Mas uma você diferente, porque quando você estiver lá no fundo e sem escolha vai descobrir que é infinitas vezes mais forte do que imaginava . E o buraco, afinal, nem era tão grande quanto parecia ser. Boa subida e seja feliz.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 10/03/2006
Reeditado em 04/07/2006
Código do texto: T121377

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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