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DOR E GRAÇA

          Estando na sala de espera de um hospital vivi um dos momentos onde a fragilidade humana se encontra e se toca com a graça Divina.
          Observei que pessoas que nunca tinham se visto antes, neste momento de dor se consolavam como se fossem muito próximas, amigas de muitos e muitos anos.
          Neste momento o mesmo sentimento as unia e as tornava próximas e amigas. Classe social, econômica, raça, cor, credo; nada disso importava. A dor era vivida por todos na mesma intensidade e a necessidade de consolação os tornava mais próximos.
          O calor humano aquecia os corações de cada um(a) e à todos naquela corrente. Partilhada a dor não dói tanto. O diálogo é como um bálsamo que acalma os corações das pessoas.
          Não se recorria somente às pessoas que estavam ao lado. Do meio dessa dor surgiam preces de suplica e gratidão. A dor humana e a graça divina se encontravam e tornavam-se energia para superar esse momento.
          O lado humano se manifesta fortemente e isso é muito bonito, ver as pessoas manifestando seu carinho, seja por palavras, pelo silêncio, pelo abraço, pela oração, pelo pensamento positivo.
          Na mesma sala onde sete anos antes eu velava pela saúde do meu pai que estava na UTI (história contada em onze minutos), hoje esperava a minha mãe sair do bloco cirúrgico. Parece ser uma coincidência. Tudo há um porquê!
          Ao meu lado duas mulheres falam e despertam minha atenção. Uma diz para a outra: “Os homens não tem paciência. Não sabem esperar.” Mesmo assim, quem sabe elas estavam querendo justificar sua ansiedade, sua insegurança, seus medos. No geral a gente não gosta muito de esperar, ainda mais tratando-se de situações de doença.
          Muitos caminhavam impacientes esperando alguém. Quando a porta abria e a maca vinha, todos iam ver quem era.
         
          Busquei e encontrei em Deus a força que precisava para este momento. Sempre lembro de uma letra da música dos Anjos de Resgate: “O céu inteiro está rezando por ti, e se preciso for nós estamos aqui.” Lindo pensamento. Isso nos conforta em nossa condição humana. Saber que Deus é por nós e que tem pessoas que rezam e torcem por nós é muito bom e nos conforta. E se as pessoas podem fazer isso, quanto mais os santos.
          A dor humana tem seus limites, mas a fé, a graça, a oração não tem limites. Se estamos abandonados e confiados à graça de Deus seremos firmes e fortes, pois é Ele quem nos conforta e fortalece.
          A espera pode ser angustiante, mas a certeza da força e graça de Deus nos confortam e fazem erguer a cabeça e continuar caminhando. Ainda que haja obstáculos nada deve fazer a gente desistir e parar. A vida não tem preço e devemos apostar tudo nela e por ela.
          Sentimos a beleza da vida quando ela se torna frágil, mas a fragilidade não é seu limite. É na fragilidade que percebemos a força da vida, o poder da vida.
          Amemos as pessoas e a vida enquanto eles vivem e caminham conosco. Viva a vida. Viva o espetáculo que é a vida.

Hermes José Novakoski
Porto Alegre, 15/07/2005
Reeditado em fevereiro de 2008.
Hermes José Novakoski
Enviado por Hermes José Novakoski em 11/03/2006
Reeditado em 11/02/2008
Código do texto: T121936
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Sobre o autor
Hermes José Novakoski
Marituba - Pará - Brasil, 35 anos
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Hermes José Novakoski