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A L T E R N A T I V A

          Johann Wolfgang von Goethe, um dos mais populares e sábios escritores da língua alemã, escreveu, em 1774, o romance Sofrimentos do Jovem Werter, narrativa dramatizada de sua própria experiência sentimental. O suicídio contido na trama inspirou, àquela época, dezenas de automortes na Europa. Isso num tempo em que as comunicações eram precárias, se comparadas ao que atualmente existe nesse campo.
          Pesquisas realizadas em vários países, dados encontrados na INTERNET, apontam a decisiva influência de programas televisivos no comportamento das pessoas, principalmente nos jovens. E não precisamos ser especialistas para constatarmos as mensagens de violências contidas em muitos programas ou filmes. Pesquisa da UNESCO, no Rio GRande do Sul, apurou que em 23% das escolas ocorrem espancamentos de professores e alunos; 26% delas são depedradas e em 9% ocorre violência sexual ou estupro. Certamente essas ações não constam do currículo escolar, tampouco vêm sob orientação dos pais. Entretanto, elas
existem, são reais e cotidianas. Qual a fonte, a razão e o interesse dessa violência? Eis uma interrogação que deve levar a cada um de nós a uma resposta. Mas, só a resposta basta? E a tomada de uma posição, pela sociedade, que tenda a reverter esse quadro, quando e como acontecerá?
          Talvez eu estaja caminhando sobre a linha divisória. Eu, sozinho, não. A sociedade como um todo. Penso que as pseudas liberdades transformaram-se em aberrações. Às vezes dá a impressão que a abnormidade é o correto e, estáticos, pasmados e inermes vemos, ou consentimos, destruírem-se valores universais, como o direito à educação e à saúde.
          Só a TV tem culpa? É claro que não. Seria simplista o ato de repassar as responsabilidades. Entretanto, é desproporcional a força do estímulo televisivo em relação à mensagem que um jovem possa receber em casa ou na escola. Esse quadro deve estar constantemente prurindo nossa consciência, sem o que não haverá a reversão. Criar alternativas, eis o caminho. Consumismo compulsivo, violência, sexo desregrado e drogas: é esse o ideal social? Infelizmente é assim a vida de muitas pessoas (e não exclusivamente jovens). Até quando?
          Dia desses, a TV apresentou reportagem advinda do estado do Espírito Santo, em que dois professores adaptaram o jogo de xadrez em um ginásio, fazendo com que os próprios alunos, devidamente caracterizados, fossem as peças do tabuleiro. Aumentou em 100% o interesse pelas aulas. Essa é uma mensagem positiva, pois o jogo de xadrez estimula o raciocínio. E raciocinar, mais do que nunca, é preciso. Naqueles jovens, drogas e outros ilícitos encontrarão maior barreira para se aninharem, pelo simples fato de que pensam, porque o xadrez requer alternativas.
          Temos, a partir do Rio Grande do Sul (1947/48), os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). São excelentes campos para a ajuda da instituição do caráter cívico e da cidadania. Desde que não se transformem em bailões ou fábricas de invernadas artísticas profissionais, já detectado por alguns tradicionalistas, é uma imensa estrutura a ser utilizada no sentido alternativo e formador, porquanto um concurso de prendas ou peão farroupilha é um verdadeiro vestibular; todos os CTGs. possuem bibliotecas; palestras são regularmente proferidas e, o principal, a família sempre está presente em todas as ocasiões, diferentemente dos "Sons" ou "Festas", invariavelmente começando depois da meia-noite, freqüentadas em 95% por jovens (ou seja, sem a família presente)que, não raras vezes, utilizam esses espaços para se drogares e/ou se prostituírem.
          Jogo de xadrez, CTG, campanhas de moralização dos programas televisivos e/ou vindos pela INTERNET são alternativas consideráveis que fazem par a inúmeras outras. Todavia, a crucial alternativa é essa: esperar que o próximo atingido pelas drogas ou violência seja nosso filho ou entrar nessa guerra moralizadora, assumindo uma daquelas tantas batalhas, em alguma área objetiva, cujo lema geral é participação. Sem o quê, jamais haverá alternativa.
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 15/03/2006
Código do texto: T123542
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
163 textos (23331 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá