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Você sabe qual a aparência de um anjo da guarda?

Sempre que pensamos em um anjo da guarda, na maioria das vezes, o imaginamos vestido de longas roupas brancas, asas grandes e repletas de plumas, auréola, olhos azuis e de cachinhos dourados, como os querubins pintados nas Igrejas...
Muitas vezes a vida nos mostra o quão enganados podemos estar...
Uma conhecida minha, moça centrada, trabalhadora e disciplinada, viu-se outro dia em sérios apuros.
Estava ela retornando da caminhada diária com as amigas, quando ao entrar em casa, fecha o portão e se dirige para dentro.
Por vivermos aterrorizados com tanta violência, a casa dela é toda fechada, isolada da rua a bem dizer, já que a frente conta com um enorme muro e um portão de madeira maciça.
Normalmente ela entra pela porta da sala, mas naquele dia, percebeu que a porta estava trancada e se dirigiu a porta do quintal...que também estava trancada...e a chave, bem,... ela havia esquecido de levar!
Assim, como tinha batido o portão sem a chave, viu-se trancada no alpendre sem poder entrar em casa e sem poder sair...
Passada a surpresa começa a cair em si da situação atípica em que se encontrava... E começou a rezar, enquanto ainda conseguia manter uma certa calma...
Logo chegaria a hora de buscar a filha na escola, o almoço precisava ser feito, a máquina de lavar roupa já deveria ter sido ligada... Assim, começa a se preocupar...
De repente percebe um barulho em frente e pelo vão do portão vê que há um homem da telefônica trabalhando no poste.
Numa atitude de puro alivio, pela fresta mesmo começa a chamar o homem:
- Psiu, moço... Rapaz! .Meu senhor!
Pelo amor de Deus homem! Grita, vencida pelo desespero...
A cada tentativa, via mesmo em seu campo visual reduzido, que o homem olhava para todos os lados, tentando descobrir o que era aquilo...
Como não conseguia ganhar a atenção do dito cujo, minha amiga perde toda a reserva e começa a gritar desesperada...
- Moço! Aqui, no portão! Pelo amor de Deus estou presa...Ajude-me...
O homem já ressabiado e com o olhar transtornado responde para todas as direções, uma vez que não conseguia perceber de onde vinham tantos apelos...
Olha...seja quem for... no momento estou ocupado...Tenho trabalho a fazer!
E dizendo isso passou a olhar para o poste como se jamais tivesse visto um!
Nossa protagonista via claramente o horror nos olhos do homem, e a determinação em ignorá-la, uma vez que o mesmo não compreendia o que estava ocorrendo...
Após tantas tentativas desesperadas de ganhar a atenção dele, minha amiga perde toda a compostura, e grita em alto e bom tom:
- Homem de Deus! Sou eu, a dona dessa casa em frente o poste onde o senhor está trabalhando...
Estou presa sem poder sair e nem entrar em casa...
Meus filhos não poderão retornar a casa...E se o fizerem não terão o que comer...E tudo será culpa do senhor!
Quero que ligue para minha mãe e diga-lhe para vir aqui com a chave de casa...É só isso!
Evidente que enquanto gritava desesperada batia no portão para identificar a casa ao pobre homem...
Enfim, ele localiza a voz e ainda injuriado desconfiado e, certamente assustado, diz que não pode fazer isso, pois esta em serviço. Ao que se seguiu uma exclamação tão horrorizada, que apenas essa interjeição foi capaz de convence-lo a fazer-lhe o que pedia...
Ela passou o número e a atormentada criatura, pendurada na escada fez a ligação...Claro, deixando quem estava do outro lado da linha, um tanto perturbada pela história meio fantasiosa que ouvia...
Assim, minha amiga naquele dia, depois de resolvido o problema e passado o sufoco, reconheceu neste homem um anjo da guarda!
Quem diria!... Apresentando-se de roupas coloridas, sem asas, mas do alto, é verdade...Trazendo ajuda distante, com uma certa facilidade...E...ao invés de auréola... um capacete! Sem cachos dourados e olhos azuis!
Assim, é bom que todos estejam sempre atentos e lembrem-se que a aparência do anjo que nos ajudará nas dificuldades do dia a dia...pode ser a mais inesperada possível! !



Priscila de Loureiro Coelho
Enviado por Priscila de Loureiro Coelho em 22/04/2005
Código do texto: T12494
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Sobre a autora
Priscila de Loureiro Coelho
Jacareí - São Paulo - Brasil, 65 anos
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1 e-livros (148 leituras)
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Priscila de Loureiro Coelho