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O Sr da Guerra. (Não às armas)

Ontem a noite fui assistir ao filme estrelado por Nicolas Cage; O Sr da Guerra. Embora tenha sido apenas mais um filme querendo ser moral que nos conta a veredade que já conhecemos, valeu pelo fato de ter ao menos nos feito refletir. Quanto vale a vida humana? Segue abaixo um texto meu, escrito no período do ano passado em que se discutia sobre a comercialização das armas.

Boa leitura.

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Recebi há pouco tempo um e-mail a favor da legalização de armas. Esse e-mail trazia no título algo sobre a verdade. Detalhava uma armação da Rede Globo para retirar as armas da sociedade e tornar-se sócia de uma firma de segurança austríaca, criando um monopólio da segurança. Algo parecido com o filme “O homem do ano“. O mail me pareceu muito sensacionalista, subjetivo e direcionado únicamente em denunciar a Globo, tirando a atenção do tema principal em discussão. As armas nas mãos da sociedade brasileira. Sociedade essa que, ao meu ver, não tem maturidade nem para assistir a uma partida de futebol, (veja-se o quebra-quebra na Paulista, a morte do torcedor no último derby Palmeiras x Corinthians), muito menos para possuir armas de fogo, legal ou ilegalmente.
Independente da veracidade do mail que recebi, pois admito que nem fui em busca dessa notícia, creio que esse possível contrato é secundário, diante da importância do desarmamento da população. Caso tal contrato exista, temos no Brasil os meios para averiguar a legalidade do mesmo, e se necessário for, encontrar os devidos instrumentos legais para garantir a idoneidade desse possível negócio. A parte o fato do possível interesse de alguns políticos, o que tornaria tudo “naturalmente“ ilegal. Repito que não averiguei as fontes nem o conteúdo da notíca veiculada no mail. Prefiro me fixar no uso ou não das armas de fogo por parte da sociedade brasileira.

São diversos os casos que me tocam pessoalmente, onde pessoas perderam suas vidas de maneira banal, devido o uso de uma arma de fogo. Além do fato para mim indiscutível que, mesmo estando armados, os cidadãos não se tornam menos vulneráveis à violência urbana no Brasil. Cabe lembrar que os assassinos não compram suas armas legalmente, e que estamos tentando desarmar a sociedade civil, não a guerrilha. Esse é um outro processo ainda não iniciado.

Não sei se há estudos detalhados sobre esse aspecto. Sei porém que o estado de Pernambuco é o estado com maior número de assassinatos por arma de fogo no país. Seria interessante ver se nesse estado há menos violência urbana em relação ao resto do Brasil. Me arrisco a afirmar, mesmo antes de saber o resultado, que a resposta é não. Pernambuco não é o estado mais seguro do Brasil, mesmo tendo a sociedade mais armada.
Gostaria de também de poder trazer à tona uma corrente de raciocínio ilógico que circula entre a população. Recebi um outro mail, em resposta à minha posição contrária ao armamento da sociedade. Esse mail tentava fazer uma comparação totalmente fora de foco, seguindo uma lógica muito pouco lógica. Reproduzo abaixo parte do mail, exatamente como eu o recebi.

-- Acidentes de automóvel matam mais do que armas registradas. Vamos proibir a comercialização de automóveis!
Pessoas alcoolizadas matam mais do que pessoas não alcoolizadas.
Vamos proibir a comercialização de bebidas!
Água Mata !
Vamos acabar com a água no mundo e acabaremos com as mortes por afogamento ou alagamento.
Certa vez, um homem pegou sua mulher com outro, transando no sofá de sua casa. Ficou tão transtornado com a situação, que tomou medidas radicais para resolver o ultraje sofrido: VENDEU O SOFÁ!
Não adianta vender o sofá nem proibir as armas.
O Governo tem que criar condições sociais razoáveis e a polícia tem que trabalhar.
-- Não tem mágica!

Observem o tom sensacionalista e imaturo usado no mail acima. Antes de qualquer coisa, eu acredito que a lógica do discurso é ilógica, ou no mínimo não é aplicável ao tema em debate. Usando o mesmo tipo de conclusão do autor do mail, eu posso dizer o seguinte. “O macaco não fala. A pedra não fala. Ergo o macaco, é uma pedra. E nós seres (in)humanos somos descendentes das rochas.” Vejam que absurdo eu acabo de concluir, segundo a mesma lógica do meu correspondente eletrônico.

Isso, sem considerar o fato da comparação indevida de automóveis com água e armas de fogo. Como se para retirar as armas de circulação, tivéssemos também que retirar os automóveis, assim como bebida alcoólica. Eu acredito que são problemas que devem ser encarados separadamente.  Não é essa comparação absurda, tentando criar ligações inverossímeis entre esses distintos problemas, que serve de justificativa à livre circulação de armas nas mãos da nossa imatura e violenta sociedade.

Como já defendi em outro texto, a certeza de estar certo é o primeiro passo para o engano. Precisamos examinar a realidade por diferentes pontos de vista. O possível contrato da Globo de nada influi na importância da vida das pessoas que morreram e morrerão devido o uso de armas de fogo. Tentar justificar a liberação das armas com um possível contrato de uma firma com outra, é observar o tópico através de apenas um ponto de observação, limitando assim a capacidade de opinar livre de pré-julgamentos baseados em interesses que estão aquém da vida humana. Os convido cordialmente a repensarem sobre suas convicções.

Ullisses Salles - 2005/06
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 20/03/2006
Código do texto: T125667
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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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