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As rosas

Duas Rosas

Nascidas no mesmo galho, ainda em botão, tornaram-se amigas e confidentes. Dizia a que sentia-se “menos afortunada:

- Serás bela, quando o sol, este inimigo cruel que adora queimar-me a pele, te der o calor suficiente para desabrochares, enquanto eu ficarei eclipsada por tua beleza, e os olhos humanos de quem tanto ouço falar, felizes ficarão ao te ver, e receberás sorrisos, elogios ...

A outra simplesmente respondia:

-  Serás bela também. Vamos deixar esta depressão de lado e começar a fazer os exercícios do desabrochar o quanto antes.

-  Não. Penso em desistir. Além de não ter  tua beleza, força, coragem, tenho nuita preguiça.

-  Jogue fora a preguiça. Se a beleza lhe é de alguma forma importante, vamos nos exercitar!

-  Ah! Este vento horrendo! Quase me põe ao chão antes do momento. Sinto tanta ansiedade, tanto calor que não consigo pensar em exercício. Estou me sentindo tão “apertada”.

-  Tu estás sempre tão mau humorda, cansada, preguiçosa. Desisto de ti! Parece uma flor morta, antes mesmo de florescer. Recusas-te a ensaiar. Se continuares desta maneira, não sei não, amanhã, talvez não sei não.

-  Não me importo. Alvez, seja melhor assim. Não ficarei cansada, e o sol não me verá derrotada.

Entardecia. As duas se calaram. Logo começava a escurecer e chegava a encantadora noite de primavera, adentrando por entre as folhas aqui e ali naquele jardim,vinha dentro de um vestido longo e negro, adornado com seu manto bordado de estrelas cintilantes, em constelações palpitantes, no fundo do manto, um luar pálido irradiava seus raios.Diante da chegada da noite e seu luar, a rosa falante ficou ensimesmada enquanto a outra, o promissor botão, pôs-se logo a sorrir, brincava toda faceira como uma namorada entusiasmada, com os raios de luar e aspirava o perfume primaveril, nova flagrância do armazém de Deus.

Na manhã seguinte, bem cedo, abri uma das partes de minha janela de meu quarto.Tive uma linda surpresa. Duas rosas no mesmo galho estavam tão fresquinhas na manhã primaveril. Fui para o trabalho. Quando voltei ao abrir o portão, avistei logo as duas rosas. Já era tardinha e tive outra surpresa. As duas lá estavam só que inexplicavelmente, uma delas estava completamente murcha, antes mesmo de desabrochar totalmente, enquanto a outra estava radiantemente linda, estendida em suas pétalas rosadas, carnudas, sedosas e perfumadas, vivendo o melhor de sua efêmera existência.

Mais tarde, no leito, eu pensava no silêncio de minha mente e na pausa daquele momento, encontrei a mensagem das rosas: “viver, plenamente, cada momento, com consciência é uma questão de escolha e vontade. Certamente a plenitude e consciência presentes em cada momento é que dão cor, textura, perfume, beleza a cada botão de rosa no seu despertar”.
Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 20/03/2006
Código do texto: T125696

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Sobre a autora
Aradia Rhianon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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