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TODAS AS GUERRAS SÃO INDECENTES

Apoderamos dos sonhos de nossas crianças e de nossos favelados e  alimentamos os seus mundos com deuses bandidos.

Imolamos as almas de toda uma juventude pobre e os tornamos escravos de todos os poderes, paralelos ou não.

Sangramos os corações de mães batalhadoras, matando seus filhos a sangue frio.

Bandidos ou não, eles são resultados de todas as ausências.

Fomentamos a contaminação de suas esperanças com o ódio e esquecemos que todos somos iguais.

Confiamos aos braços servis dos esquecidos a sua própria sorte e apoderando-nos do ouro das oportunidades, vedando-lhes todas as saídas.

Primamos em não repartir o pão que é de todos e criamos coisas para serem consumidas que consumem com os nossos jovens, tornando-os bandidos.

Regenerar é possível. Eu creio nisso.

Na desmedida busca do poder a nossa avareza está em xeque.

Libertar os escravos da sobrevivência é premente e urgente.

Não existe guerra pudica. Todas as guerras são indecentes.

Não podemos mais consentir crianças sendo geradas sob o império do medo condenadas, a partir daí, à pena de morte.

Pena de morte que fazemos questão de fingir não existir.

Não podemos legar a esse povo humilde a responsabilidade de seu destino.

A fantasia ainda habita o coração das crianças do morro. Este é um dom divino e nos dá a certeza que tudo pode ser diferente. Para melhor, é claro.

Os milhões fabricados pela droga não pertencem ao morro. Disso, não podemos esquecer ou fingir que não sabemos..

Esses milhões estão nas mãos de poderosos que compram todos os poderes.

São os senhores do engenho em pleno século XXI açoitando, silenciosamente, os seus colonizados.

Somos uma sociedade decadente em marcha rápida para o inferno.

Há muito tempo, já não temos flores nas praças. O que vemos é fumaça e desgraça.

As relações esgarçaram-se e existem vários mundos neste mundo.

A desagregação é só o resultado de nosso egoísmo, da nossa falta de real comprometimento para com o outro.

O direito que foi construído para tutelar a vida de cada ente humano, vem apenas castigando os que gritam, mas não têm voz.

Pelo arrojo econômico e pela ambição desenfreada esquecemos que o homem é um ser mutante e como mutante ele pode se desintegrar.

Lamentar apenas, é uma forma cômoda de não nos comprometermos.

Exilamo-nos da realidade, e pensamos que não temos nada haver com isso.

Dói assistir a realidade. Dói ouvir a verdade.

Será necessária muita coragem para descortinarmos a maior verdade que é a de como armas chegam às favelas, de como drogas sobem o morro.

Precisamos fazer a viagem de volta.

Escolas, empregos, dignidade e lazer não são e nem podem ser considerados itens supérfluos. 

Tudo isso é essencial para o ser humano continuar existindo e se Deus quiser, continuará. 















Rosa Berg
Enviado por Rosa Berg em 20/03/2006
Reeditado em 22/11/2008
Código do texto: T125768

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Sobre a autora
Rosa Berg
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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