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O lado negro

Em 1989 fui ao cinema e pela primeira vez vi e descobri a saga estrelar idealizada por George Lucas em 1977 e que acabaria no ano de 1983. Era a célebre trilogia “Star Wars”. Confesso que me tornei fã de imediato, principalmente devido à abundância das estrelas, do qual sou um devoto apaixonado, e pelas batalhas imemoráveis que nelas tinham lugar.
Até que cresci e o que mais me apaixonou de seguida foi a história de um homem que em tempos fora bom, mas que se deixou seduzir pelo lado obscuro da existência, tornando-se então um apóstolo das trevas. Mas esta saga…era só a parte final do percurso deste homem de máscara e voz robótica trajando de negro. Até que no ano de 1999, 2002 e 2005 Lucas concebeu a primeira parte, que contava a infância, a adolescência e por fim, no último episódio a rendição às trevas por parte do jovem e promissor cavaleiro (Jedi). Até ao último episódio sempre pensei que essa vertigem pelas trevas era devido à sedução pelo exercício de poder, poder pelo poder, e nada mais do que isso. Por isso fiquei surpreendido quando vi no derradeiro filme que o jovem tinha abraçado as trevas por uma mera questão de amor. Secretamente casara-se com uma mulher (o código da sua irmandade impedia tal) e a partir dai um dos seus terrores era perder a sua esposa, horrores alimentados por sonhos premonitórios. Até que o senhor do lado negro, mascarado de bem feitor, lhe garantiu que nas trevas a morte era algo ultrapassável, que nelas ele salvaria a amada. O jovem não resistiu e por amor ele vendeu a alma ao diabo, por amor abraçou as trevas, por amor…Embora no final não conseguisse evitar a dura lei da vida e ela falecesse no parto onde deu à luz duas crianças que foram escondidas do temível pai, duas crianças que no decorrer dos filmes restantes, e enquanto adultos vão devolver a justiça à galáxia com a ajuda do progenitor, que num derradeiro momento de lucidez emergiu da escuridão, eliminando o Imperador e o tenebroso Império que ocupara o lugar da antiga e milenar República e tornando-se assim o maior herói da saga, um herói negro, um anti-herói bem ao meu gosto…
O meu fascínio pela personagem é tal que colecciono mascaras e miniaturas do vilão, porque de facto sinto uma enorme sintonia, paralelismo, identificação com ele; sinto-me alguém tocado por uma certa forma de luz, mas também pelas trevas, principalmente nos livros de prosa e poesia que vou escrevendo, e na música que ouço. Para mim a criação literária é pura luz, mas os seus frutos são trevas. Apesar de ser alguém alegre desde que me conheço aquilo que gero não o é; sempre foi assim e não vejo como mudar, pois ao contrário do meu herói Dart Vader (é esse o nome dele) eu não regressarei à luz no campo literário, mas afinal, quem pode adivinhar o futuro?
No entanto ainda hoje penso no assunto e reflicto muito para além dos filmes, reflicto nesta estranha fábula de amor talvez porque tal como ele por amor ou por falta dele estarei disposto a tudo, eu não paro de gerar livros, não paro de conhecer pessoas, não paro de viajar a todos os níveis em busca desse Santo Graal sentimental, o que me assusta, pois por amor estarei disposto ao impossível e tal como Ele a abraçar
O Lado Negro

Crónica protegido pelos Direitos do Autor
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 21/03/2006
Reeditado em 21/03/2006
Código do texto: T126235

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes