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A NAÇÃO BLUE A CAMINHO DO SOL

ESPERANÇAS CRUZAM OS CÉUS DO BRAZIL, nestes tempos de tiroteios sócio-políticos.
Um país de tantos Josés, Franciscos, Marias & outras quimeras compadecidas de fé & alegria, que num tempo passado foi promessa de futuro & hoje deriva num mar de incertezas. Ser brasileiro é dom, privilégio, é a possibilidade de fuga pra Passágada ou Xangri-lá. Somos um pouco João Gilberto, Gil, Ben & Caê musical, mestre Caymmi e todos os sons da Bahia de São Jorge Amado. Outraspalavras. Entre o Pacífico/Atlântico, o verde é mais denso no mar de copas da Amazônia, reino de bravos & mitos. Por dever de luta dos seringueiros contra o Dragão da Maldade & da Hipocrisia, um dia tentaram calar uma voz com tiro mas a natureza das coisas justas é soberana: perdeu-se uma batalha, mas não a luta. Hoje temos milhares de Chicos Mendes espalhados por aí, nos movimentos dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-arte & dos sem-educação. Pendurados nas construções, nos trens suburbanos, pelas praças, pelas matas fechadas, todos alertas na escuridão da mata selvagem de um neoliberalismo falido. Inerente a tudo isso, é preciso ter força, é preciso ter raça, sempre, ser da terra, com pé no chão, porque esperança sobe, desce, amadurece & sempre dança na corda bamba de sombrinha. A saudade tem a vontade & a cara bonita de Elis, mas nossa cultura in-voluiu & os nossos ídolos ainda são os mesmos. Porque será? Nas Geraes ecoam sempre bons ventos, sentimentos de terra úmida e fértil, sons de serra, carro de boi, palhoça, festa na roça. Todaslínguas, todascores, tudo é palavra sábia na língua materna da natureza. Pelos caminhos de ferro, a Maria Fumaça já não canta nem encanta & tudo se enferruja pela ação do tempo implacável, até o ato de partir, rumo a um novo sol de primavera. Adoráveis paragens cariocas, de todas as Copacabanas, Ipanemas & Leblons. Todos os caminhos parecem levar ao Cristo Redentor, que continua de braços abertos & olhos fechados para a cidade que vive sob o medo. Num país que produz numa velocidade desconcertante, tantos Pixotes, Sandros, Parejas, anjos com um colt 45 na cintura. Vivemos nas entranhas de cidades caladas, mudas de perplexidade, respirando metais dourados & em torno das mesas dos bares, nas gerais dos estádios, nas arquibancadas dos rodeios, além da boa cerveja, há sempre jovens, velhos, anarquistas, poetas, capitalistas e errantes navegantes jogando conversa fora. Panis et circenses. Assim se equilibra uma nação. Drummond ainda é ponto de referência na carência turbulenta da nossa educação, uma bússola, um instrumento de sensibilidade. O poeta do tempo presente, criando o tempo futuro. Há também Vinícius de todas as paixões & canções, as mulheres de Atenas, de Hollanda Paratodos, andam pela vida, espalham-se pelas esquinas noturnas. Em cada alma calma, um país pra estrangeiro. Cecília, Coralina, Lígia Telles, Clara Nunes & outras tantas heroínas. O Brasil tem alma feminina, tem prazer, sedução.
Isso é o que mais me anima nessa sina de país que nunca acontece.

Wallace Puosso

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Wallace Puosso
Enviado por Wallace Puosso em 21/03/2006
Reeditado em 13/04/2009
Código do texto: T126343

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Sobre o autor
Wallace Puosso
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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Wallace Puosso