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EU ME ACHO E DAÍ? O CASAMENTO PERFEITO

          Nos últimos tempos, que andaram demasiadamente bicudos para o lado desta que vos escreve, e do alto de dois fracassos retumbantes na área dos casamentos e na iminência de um pé na bunda num relacionamento que parecia ir muito bem, obrigada, esta senhora na casa dos quarenta e coisa teve que dar um pause e rever os conceitos sobre o futuro. 
          Alguém aí virá mesmo me dizer que o futuro a Deus pertence ou outras coisas que tais, no que, parcialmente sou obrigada a concordar. Apesar do cabelinho de bruxa e das minhas tendências esotéricas, minha bola de cristal quebrou e não há verba disponível para a aquisição de uma nova. Assim, realmente só posso mesmo é dar um pause e rever as cagadas feitas e tentar vislumbrar o que fazer no futuro, pelo menos no campo dos relacionamentos, já que parece que estou me revelando um desastre total no assunto. 
          Descobri coisas que me deixaram mais confusa que barata tonta em dia de dedetização. Por exemplo: descobri que para alguns sou muito cult, penso demais ou sou séria demais. Para outros, descobri que sou uma ignorante de vez que assuntos muito complexos e, na minha modesta opinião, uma chatice total, como política, as crises mundiais, os planos econômicos sendo portanto registrada na classe das tapadas, o que traduzindo, é  uma anta completamente desinteressante. Há ainda os que não gostam muito do meu lado espiritualista e do meu hábito de ler livros sobre a espiritualidade ou ainda de psicologia e dessa minha mania de querer entender a natureza humana, da qual, entendo eu, ainda faço parte, ainda que na condição de anta acima exposta. 
          Depois das descobertas, vem a clássica pergunta: que cê faz, Mariquinha? Ocê sabe isso tudo e serve pra quê? Pensei em aproveitar este Recanto para botar um classificado em busca de, quem sabe, encontrar um par de chinelos velhos para meus pezinhos cansados. Desafortunadamente, tive que descartar a tal opção , visto que, como diz meu filho, “eu me acho” e ele tem toda razão, isso iria completamente contra minha auto-estima e meu amor-próprio. 
          Depois de queimar um bocadinho com Tico e Teco, chegamos os três a um consenso: só tem um casamento que vai dar certo pra mim e só um relacionamento vai ser bam bam bam pra esta moça aqui. Comprei uma aliança, fiz o ritual todo e casei comigo. Eu vou ter que me agüentar nas crises sem resmungar, eu não vou me sacanear, se eu me criticar eu mesma tenho que consertar, eu não vou me abandonar nunca e , achei em resumo, até algo que transcende o famoso “até que a morte nos separe”, visto que nem a morte me separa de mim mesma. Meu filho tem razão: eu me acho. Mesmo quando me desencontro.



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/03/2006
Código do texto: T127912

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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