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REENCONTRO

REENCONTRO


O rapaz não sabia como agir. A dúvida o impedia de falar com ela, a antiga paixão de sua vida.
Baixou o rosto, pensou, adquiriu coragem e finalmente resolveu enfrenta-la. Afinal, era uma pessoa especial que em tempos passados conseguiu flechar seu coração, remexer seu interior, balançar seu comportamento.
- Tudo bem ?
- Tudo.
Os seus olhares brilharam, num brilho diferente, permanecendo fixos num ontem cheio de ternura e saudade.
- Você tem pressa ?
- Eu? Bom, acho que...
- Se não puder, tudo bem !
- Não, não tenho pressa. É que estou surpresa !
Caminharam até à Lanchonete, a mesma na qual muitos anos atrás tomaram o mesmo refrigerante. O mesmo garçom os  serviu e era igual a cantoria de um pássaro ainda preso na mesma gaiola...
- O quê tem feito ? – pergunta o rapaz.
- Não consegui passar no Vestibular e acabei desistindo da Faculdade
- E o interior, acostumou-se por lá?
- Meus pais gostam. Eu ainda não me acostumei. E você ?
- Já me formei. Estou indo para o Rio, batalhar um emprego.
Falaram-se por muito tempo. Ele estava com a passagem na mão. Ela de passagem na vida dele, porém, já comprometida com outro pretendente.
Muito se resgatou do passado, naquele encontro, mas nada além de um longo papo.

Em todos os relacionamentos amorosos sempre existe um que mais se envolve nas lembranças.
Para ele, aquele olhar de relance ainda era o mesmo. Um olhar que despertava um vulcão extinto, mas que, a qualquer momento, poderia explodir em fogo e lavas ardentes.
Ela por sua vez, respeitava um protocolo de moral, uma aliança conjugal, uma promessa aos pais e ao seu noivo.
Despediram-se antes do fogo renascer, antes do amor rebentar cheio de desejos que se haviam congelado no tempo, mas...
Uma lágrima documentou aquele reencontro.
Uma lágrima que refletia como a vida é cheia de surpresas, cheia de vazios, de ilusões que se desfazem num simples adeus e que só mais tarde, num reencontro como este, revela a verdade. Uma verdade que, infelizmente não pode ser repetida para não ferir outros corações envolvidos.
Na mesa da Lanchonete, apenas o restinho da bebida e a marca de batom na borda de um copo ficaram como lembrança daquele inesperado reencontro
Júlio Sampietro
Enviado por Júlio Sampietro em 25/03/2006
Código do texto: T128546
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Sobre o autor
Júlio Sampietro
Curitiba - Paraná - Brasil, 73 anos
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Júlio Sampietro