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matéria ígnea

'separar de águas…'
Quando a noite do dia já é dia de outro dia que ainda não nasceu da noite, ainda estou a acabar o dia que já passou ainda não o dando por acabado. Esta fidelidade a um hoje que só será amanhã quando no repouso encontro pouso, releva do relevo que dou ao sono como separar de águas…
Momento sereno para o qual me preparo procurando nas palavras a poesia, esperando um verso: o momento onde uma ideia descobre como destino a forma de se dizer.
Enquanto escrevo isto não sou alheio a uma realidade que tem vindo a criar forma e a ganhar espaço na minha atenção: ter leitores. Dou pois por mim a pensar o que seria/será isto, quando antes isto era e tanto bastava.

'o esplendor da poesia'
Cronicando pois, desta feita em crónica, esta despedida do dia e a procura natural do poema como celebração da poesia. Não tanto a Poesia, género dependente dos versos mesmo quando se tenta deles libertar inventando a "prosa poética" como um domínio também seu.
A Poesia será sempre em verso, é a descoberta do verso! Inicialmente tudo eram versos, tudo era prosa… A descoberta do canto, do dizer ritmado, da sua escrita: nasceu a poesia. E um verso nunca será a divisão duma frase dispondo-se em sucessivas linhas, embora deste modo os versos sejam escritos. Onde está a diferença que permite enunciar o verso?
O verso é um momento de emoção! Se eu pensar numa frase sem a escrever e ela me exigir que a escreva em verso: o verso acontece!... Não foi a frase que me exigiu coisa alguma, nós é que exigimos das coisas, mas são elas que às vezes se nos impõem, coisas em nós!...
Escrevo versos porque os procuro ou eles vêm, o mais certo é eles virem porque os procuro. A questão está em saber, quando os encontro? É isto que todos os poetas se têm de interrogar, isto quando querem aprofundar a sua arte.
Hoje, para me deixar ir dormir, estou quase satisfeito. Faltar-me-á o verso, o primeiro verso, o tal que será dado pelos deuses…

a nitidez dez!
o verso sem continuidade!!
poema (im)possível!!!

a minha viagem
na riqueza das palavras

o esplendor da poesia

'matéria ígnea'
É neste momento que o Assim assina o poema, decidindo ser a viagem: o esplendor da poesia. Como é esplêndido decidir as palavras, são dele os versos. A minha viagem passa a ser "o esplendor..." dele, e partilhamos... a poesia. Gosto, fico seu leitor. Se algumas dúvidas tenho, são minhas. Aprecio a certeza dos poetas, já não é humana.
A verdadeira certeza dos poetas é a certeza das palavras, talvez a certeza dos poetas seja uma fantástica irrealidade baseada numa fantasia, essa sim, absoluta e real: a certeza das palavras.
É quando damos aos outros os nossos versos que a realidade do poema materializa a sua existência, é uma matéria ígnea: uma alma em lava!
Tenho as minhas dúvidas se seremos poetas quando escrevemos palavras para os outros!!
Não tenho qualquer dúvida sobre esta matéria!!!
Na verdade, sobre esta matéria, não tenho dúvidas nenhumas: a poesia é certeza, é de cada um, é como a música, é como a forma, o movimento (do fogo)…

'nítido mito'

chama por mim
o movimento do fogo
no interior das palavras

a brasa ateada
pelo nada que é tudo

o nítido mito eleito feito!

'intimidade do Silêncio'
Diz o Assim e disse, diz porque escreveu... Só aí se lêem os versos (embora a poesia se sinta na "expressão" do dizer dito, a ir do dito − do erudito ao popular, do popular à intimidade do Silêncio)!... Um eu que se escreve, grava a sua verdade: existe. Assim seja, assim é… tudo que existe.

{Pelo muito prazer que terei em apresentar a minha próxima obra de arte (imaginem um sorriso pendurado na orelha da vizinha como um brinco, eu não brinco...), deixo dito que entre o texto agora publicado e o de amanhã, há a diferença cronológica da noite para o dia; tal facto será perceptível, digo eu...}
Francisco Coimbra
Enviado por Francisco Coimbra em 26/03/2006
Reeditado em 02/04/2006
Código do texto: T129003
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Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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