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Dente Quebrado.

Num frio dia de junho, e isso já é de longe, medido nos meus dias, entrei num restaurante e sentia fome. Pedi que me servissem. Serviram-me. Um absurdo estava a me acontecer: Ao mastigar, mordi uma pedrinha que estava no convidativo feijão. Reclamei ao garçon, com zelo, para evitar constrangimentos. Mas sequer se desculparam. Perdi a fome e fui embora. Tentei esquecer, mas o dente doía a todo inverno que chegava. Só depois de um bom tratamento é que tudo melhorou.

Ontem, neste morno março, isso tudo me veio como se a reboque. Conto: soube pelos noticiários que um velho homem fora preso por assédio a uma policial. O homem é um vendedor de coador de café. Vende na rua, lá em Juiz de Fora. Trinta e cinco de camelô de coadores e setenta e sete de vida. É cego e ao tempo não sei dizer. "Ela não falou nada comigo, somente pegou no meu braço, me algemou com a ajuda de outro policial. Ela está alegando que eu a acariciei" – dizia o velho para a televisão.
             
Toda multidão se revoltou, repudiando-a com vaias e palavrões, mas nada adiantou.

Assim o meu dente às vezes ainda dói, porque tem muita gente que é mesmo bosta!
         
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Joel Rogerio
Enviado por Joel Rogerio em 27/03/2006
Código do texto: T129331
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Sobre o autor
Joel Rogerio
Colatina - Espírito Santo - Brasil
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