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Apenas pensando sobre qualidade de vida.


“Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamás”
(Ernesto Che Guevara)


Eu gostaria de comentar não um livro, ou uma crônica, mas, apenas uma frase... singela, simples, que diz tanta coisa. Ela partiu de um guerrilheiro que morreu em nome de um ideal. Teria mesmo ele morrido em nome desse ideal? Não podemos saber o que se passava no íntimo desse homem, mas, o certo é que ele nos ensinou que, por mais dura que seja a situação, não se pode perder a ternura, não se pode endurecer o coração.

Somos livres para pensar, essa liberdade não pode ser tolhida nem castrada em hipótese alguma. O que nos pode ser castrado, e isso é algo que devemos defender em qualquer situação, é o nosso direito à expressão dos nossos pensamentos. Cada povo, a seu tempo, viveu seus “Anos de Chumbo”, quando a individualidade era punida com torturas e mesmo com a perda da vida. Diziam que isso era porque se combatia o mal que poderia destruir a todos.

Mas, que ‘mal’ é esse que combatemos??? Seria ele o responsável por todas as injustiças sociais que vivemos desde que o mundo é mundo?

Ora culpam a Igreja, ora o comunismo, ora o capitalismo... mas a grande verdade é essa: “O Homem é o lobo do próprio Homem” (Thomas Hobbes), e é por isso que tais injustiças e maldades existem.

Tudo o que vivemos até hoje é suficiente para dizer que somos um povo civilizado? Ah, não! Não pode ser chamado de civilizado quem mata por prazer, quem destrói indiscriminadamente um planeta maravilhoso e repleto de recursos naturais, quem compromete a fauna, a flora, e dispõe da Natureza a seu bel prazer.

Somos os únicos culpados por toda a maldade que existe em nosso planeta, por todas as desigualdades que condenam alguns a perecer de fome, sede, frio, com doenças que já deveriam ter sido erradicadas há muito tempo e só não o foram porque as pragas são um meio natural de controle de natalidade. O mesmo pode-se dizer das guerras, não é mesmo? Elas são um termômetro para controlar a superpopulação e também para alimentar o ego doentio de ‘grandes lideres’ de grandes potências, pois estas precisam, urgentemente, afirmar sua capacidade de dominar o mais frágil e manter sua hegemonia a qualquer preço. Essa tem sido a política humana desde que o homem descobriu o conceito de propriedade, foi essa palavrinha quem nos condenou à condição de escravos e senhores feudais. Sempre haverá explorado e explorador, pois que somos egoístas natos, e trazemos essa semente dentro do nosso âmago.

Não seria possível que os homens conseguissem conviver como irmãos? Que a corrupção, a busca incessante por poder, a necessidade de se alcançar o topo a qualquer preço, mesmo que seja passando por cima de milhares, fosse um dia extirpada tal qual um câncer que dilacera toda uma raça? Talvez sim, talvez não, mas, estaríamos nós preparados para isso?

Acho que, agora, eu entendo o significado da frase que diz “sem perder a ternura jamais”. Ela não é uma frase com intenção política, mas sim, humanitária. Não perder a ternura jamais seria um apelo para que não nos esquecêssemos de quem somos, e do que realmente precisamos para sermos completos. E, o que precisamos? Será que já pensamos a respeito de nossas necessidades mais prementes? Talvez fosse esse o momento para começarmos a nos preocupar em saber o que realmente necessitamos para termos qualidade de vida e sermos felizes. Acho que, ao final, descobriremos que precisamos de bem menos do que acumulamos durante a nossa vida toda.

Certa vez vi um arquivo formatado no PowerPoint, cujo nome não me recordo agora, mas que, em síntese, era mais ou menos assim: um homem, passeando por um vilarejo no México, depara-se com um senhor, deitado em uma rede, o sombrero de lado, observando um belíssimo pôr-de-sol. E este lhe pergunta: como você sobrevive?

O homem lhe responde: mora naquela cabana, tenho o que preciso para viver, planto alguns vegetais para saborear e pesco quando estou com fome, por isso tenho meu barquinho.

O visitante lhe incita: você não tem vontade de pescar mais do que a sua necessidade para vender o que sobra?

E o camponês lhe pergunta: pra quê?

- Para comprar um barco maior

- Pra quê?

- Oras, para aumentar sua frota e comercializar peixes!

- Pra quê?

- Para criar sua empresa e quem sabe ser um milionário daqui há alguns anos e ter sua empresa de exportação de peixes.

- Pra quê?

- Para garantir que sua velhice seja tranqüila, que você possa comprar uma cabana num paraíso e deitar-se na rede para ver o sol se pôr!

Então, o camponês mexicano olha para o forasteiro e lhe diz: - Você se refere ao que estou fazendo nesse exato momento?

Moral da história: precisamos de tanto assim para viver???

Pois é... eu queria poder ter todas as respostas, mas, já comecei pelas perguntas. Como não possuo o dom da verdade absoluta, e sou feliz por isso, me atrevo a começar expressando sobre o que penso e em maneiras de colocar em prática alguns conselhos para ser feliz, sem precisar pisotear quem vier pela frente para sentir-me plena e poderosa!

E, sinceramente, acho que uma das respostas está na frase que eu me levou a divagar sobre esse tema: não perder a ternura jamais!!


(escrito em 18/03/2006)
Akasha De Lioncourt
Enviado por Akasha De Lioncourt em 31/03/2006
Reeditado em 25/05/2010
Código do texto: T131351
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Akasha De Lioncourt
São Paulo - São Paulo - Brasil, 45 anos
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