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ORGASMOS E CIA.

          Tem uma coisa que anda me deixando com mil pulgas atrás de cada orelha. Nunca vi tanta mulher falando que o cara não saboreia o prato com calma, que não trabalha direito os prés e já parte logo pra bola na rede. E também nunca ouvi tanto homem reclamando de que mulher reclama demais, que se ele dá uma enroladinha legal na preliminar, a dita já quer logo cobrança de pênaltis; e se ele parte pro fim de jogo, a galera vaia.  Tá, tá. Tudo isso pode ser sinal dos tempos, liberação feminina, mudanças sociais e o escambau. Então, senhoras e senhores, o que escrevo agora é da conta de todos nós, de todos os sexos: feminino, masculino e variações, e não necessariamente nessa ordem.
Sei da história de uma moçoila, que vou chamando de Alice (porque acho que andava em algum País das Maravilhas e cuja ficha não caía), que vivia uma relaçãozinha das mais pobres – não estamos aqui falando exclusivamente de cama, mas inclusive. A tal da Alice não conseguia de forma nenhuma um bom nível de comunicação com o seu gato (tava meio caidinho, mas vai gato mesmo). O canal de comunicação dos dois ou era fartamente interrompido ou inexistente, a ponto de a  moça ter que mandar cartas e bilhetes para o sujeito com quem ela dividia a cama. Aliás, só dividia mesmo. Porque quando rolava um clima, era o legítimo fuc-fuc e ela dava graças a  Deus, Buda e todos os iluminados que faziam parte do seu vasto  mundo espiritual, quando a coisa terminava.
Com tudo isso, a pobre chegou à conclusâo de que, se o gato estava sempre tão animadinho e ela mais fria que o Polo Norte, só tinha uma explicação: “SOCORRO! EU, TODA BELA, NOVINHA (nem tanto), GOSTOSINHA ... E FRÍGIDA!” . Minha Nossa Senhora do Bom Parto (não, essa não serve...não é o caso). Santa Bárbara, me acuda. Vinde a mim, minha mãe Iemanjá! E agora? Corre em busca da Ciência, minha filha.  E lá vai a pobre, triste e desenxabida, com a cara mais torta deste mundo procurar a ginecologista e relatar a tragédia:
- Doutora, eu to com um problema, sabe...
- Mas seus exames estão ótimos,  Alice.
- É , mas não é bem com os exames. TEM  que ter algo errado. Sabe...
- Se você não falar, não tem como eu saber.
- Bem, é que eu...bom, eu não to funcionando muito bem
- Sexo?
Grande doutora. Alívio dos alívios. Se ela não pergunta...
- Exatamente. Tá uma m...
- Nada?
- Hum- hum....
- Nadica mesmo?
- Hum-hum
- Nem com o dedinho?
Caraca! Por essa ela não esperava...
- Bom...nisso não tinha pensado...
- Então vai, Alice. Não pensa. Vai lá e manda bala. Se não der em nada, a gente vê o que pode ser...Mas se funcionar, o que não funciona é o teu casamento, minha filha.
         Aquilo foi um botão que religou a memória antiga. Alice era boa nisso. Já tinha usado as mãozinhas com grande destreza no passado e tinha ótimos resultados. Mas, depois que casou, isso virou tabu. Não fazia na frente dele porque ele se ofendia. Não fazia sozinha porque....Nem sabia mais porquê.
No começo, a falta do treino atrapalhou um pouquinho. Mas com um pouco de insistência (minha gente, isso é como andar de bicicleta, não esquece nunca), BINGO: ELE  estava de volta. Volta triunfal, com letras garrafais, estouro de fogos e tudo mais: GOZEEEEEEEIIIII!!!!
          O resumo da história é assim, moçada: as meninas, se não sabem o caminho de si próprias, como podem querer que os rapazes o saibam? Acaso a  gente vem com Manual de Instruções ou um Tutorial qualquer?  E quanto a vocês, caros senhores, tratem de se lembrar que as moças são vítimas de séculos de um (péssimo) condicionamento. Portanto, nada de castração. Incentivem, meninos, que o estímulo produz efeitos sempre muito mais positivos do que a crítica e a censura. Afinal, todo mundo quer participar ativamente deste grande evento. Se a gente conhece o caminho, nem precisa guia turístico, né? Então, vamos ser práticos: se o assunto é orgasmo, toma que o filho é teu.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 26/04/2005
Reeditado em 26/04/2005
Código do texto: T13166

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154030 leituras)
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Débora Denadai

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