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11 de Setembro de 2001

Crónica escrita em duas etapas: alguns dias depois do 11 de Setembro de 2001, e algures em 2002, algum tempo antes da Invasão do Iraque, quando já se ouviam o rufar dos tambores duma guerra que ameça eternizar-se



No dia 11 de Setembro de 2001 quatro aviões civis de passageiros foram desviados nos Estados Unidos da América. Dois destes aviões chocaram deliberadamente contra as torres gémeas de Nova Yorque, ocasionando o colapso destes gigantes com perto de 300 metros e a morte de perto de 3000 pessoas, entre passageiros, habitantes dos edifícios e do pessoal que foi enviado para ajudar antes do colapso dos prédios, isto perante o ar atónito e estupefacto do mundo que seguiu em directo pelas principais estações de televisão a colisão do segundo aparelho e a queda das torres. Um outro avião chocou contra o Pentágono, o quartel-general das forças armadas da única potência mundial, e o quarto aparelho despenhou-se no campo enquanto aparentemente se dirigia para a Casa Branca ou para Camp David, residência de férias do presidente norte-americano. Estes incidentes foram reivindicados pela organização terrorista Al Quaeda, tendo como resposta a mobilização das forças armadas de todos os ramos da América numa guerra ao terrorismo que na altura da escrita destas linhas se quedou pela invasão do Afeganistão (sede da organização terrorista), pela hipotética invasão do Iraque e por várias acções militares mais ou menos discretas um pouco por todo o planeta por parte dos Norte Americanos, isto tudo enquanto a América tem no poder aquele que é provavelmente um dos presidentes mais cinzentos e patéticos da sua ainda breve história As linhas que se seguem foram escritas nos dias seguintes a estes atentados que mudaram a história e a forma dos ocidentais olharem o mundo islâmico:

Foi um atentado estranho aquele que nos chegou pela televisão e rádio naquela dramática e lamentavelmente inesquecível terça-feira, uma terça-feira que muitos apelidarão de negra, pelo dia em si, pelo que mudou e pelo que se irá seguir.
Foi um atentado estranho porque, apesar da sua inusitada barbaridade não houve quase nenhum sangue, porque este se volatilizou nas quatro explosões dos aviões e porque o sangue se encontra debaixo de algumas milhares de toneladas de entulho.
Foi um atentado estranho porque a distante e inacessível América de repente ficou mais perto de nós, porque mais vulnerável, porque até ela aprendeu que não está imune às bombas dum terrorismo que julgávamos distante desde o seu auge na década de 70 do século recentemente passado.
Foi um atentado estranho porque logo a seguir a ele foi declarada uma guerra a um inimigo por agora invisível, embora toda a nossa revolta anseie por um alvo, rostos ou nomes aos quais possamos devotar o nosso nojo e revolta.
Foi um atentado estranho porque apanhou na Casa Branca um presidente inócuo, incapaz de transmitir nada a não ser uma certa insegurança, porque nas suas palavras não vemos a emoção, a expressividade, a paixão de dentes cerrados que se pedem aos grandes estadistas num momento infelizmente histórico como este. Com Clinton veríamos determinação serena e leríamos nos seus olhos uma vontade de agir que superaria o seu discurso inevitavelmente bélico, ao passo que assistimos às declarações deste Bush com um bocejo e esperamos que o seu staff o impeça de mais disparates do que aqueles que vem protagonizando nos últimos dias, com declarações medíocres, onde falta a força e o pragmatismo dos grandes líderes do mundo.
Foi um atentado estranho porque a América vai para a guerra (e se calhar nos também se o agora célebre Artigo 5 da NATO – que reza mais ou menos o seguinte: um ataque a um dos seus membros é considerado um ataque à organização no seu todo -) uma guerra de que desconhecemos o local e, pior, pior de tudo o seu epilogo, dado o terrorismo ser uma diabólica hidra, à qual cortamos a cabeça mas que em seu lugar há sempre mais uma e mais uma...
Foi um atentado estranho porque duma simplicidade e eficácia brutais.
Foi um atentado estranho porque irá mudar as nossas vidas e o iremos contar aos nossos filhos e netos e estes aos filhos e netos deles, iremos contar um dia que provavelmente mudou as nossas vidas e as vidas deles para sempre, o
11 de Setembro de 2001

Crônica protegida pelos Direitos do Autor
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 01/04/2006
Reeditado em 02/04/2006
Código do texto: T132087

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes