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VERDADEIRA IDENTIDADE




Um vozerio abafado se fez na praça pública.
Em meio ao alarido, jazia inerte o corpo de um homem, no asfalto.
- O quê houve ? Quem será ? Coitado !
E assim, por longas horas o cadáver ali permanecera até que as autoridades competentes o transladassem para um exame de corpo de delito.
A ambulância partiu rebentando sua sirene merencórica...
No Instituto Médico Legal constatou-se que um mau súbito o acometera, ceifando-lhe a tentativa de resistência orgânica e fatalmente destinando-o aos frios bagos da terra, num jazigo insólito do cemitério.
Foi sepultado sem nome, como indigente, pois não lhe veio identificar, nenhum parente.
A natureza é prodigiosa !
Como o vendaval que arranca do solo um pé de arbusto e o impulsiona para outras terras, a Sabedoria Divina o carreou para o seu seio. O seu exílio temporário, na condição de encarnado, havia terminado e assim se processou a sua mudança. Se para nós era um homem desconhecido, um homem sem nome, um pedestre ambulante, para os técnicos do Plano Astral era um instrumento de escuta, uma sentinela na absorção de todas as dores, de todas as alegrias da carne, filtrando e expelindo seus miasmas cármicos na abençoada reencarnação.
Agora, rarefeito dos traumas de seu trespasse e enriquecido de valores espirituais, ganha o consolo e a esperança de refletir no uso da razão e parte para os caminhos da libertação a fim de retemperar os atributos da sua verdadeira identidade astral.
Assim conscientizado, ele é novamente um ser espiritual, com sua identidade primitiva, compreendendo sua situação migratória.
Júlio Sampietro
Enviado por Júlio Sampietro em 04/04/2006
Código do texto: T133638
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Sobre o autor
Júlio Sampietro
Curitiba - Paraná - Brasil, 73 anos
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Júlio Sampietro