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Meu filho meu

Não há contagem nesse parto, nem preparo que o faça, que o obrigue a ser princípio. Meu filho não vem de mim, por que eu vim dele. Por isso não tente entender se não quiser.
Exames não foram necessários, é sabido que não há sangue em suas veias, não há ar em seus pulmões. Meu filho não precisa de órgãos, nem comparações, nem órgãos. Por isso não se preocupe com choros e gemidos.
Tempo nunca fará diferença, por que ele já me esperava antes de eu o esperar. Meu filho conhece a vingança e o ódio, sabe a diferença entre engolir uma faca amolada e vomitar uma metralhadora carregada. É a primeira coisa que quero aprender. Ele me ensinará também a transpor somente coisas verdadeiras de um dia comum, ou não, para um dia pensado inteirinho. E você pode estar por perto se quiser, eu não garanto que confiarei em você, pois sei que meu filho é maior, melhor e mais bravo. Ele saberá apreciar a vingança se você quiser ser um alvo.
Aboliremos o espanto. Quero mentes preparadas, quero côncavos e convexos para apalpar. E ainda tem todos os preparativos. Eu sei que todos vão querer fugir, mas não posso empedí-los, agora que me acostumei à lama é assim que tudo funciona. Averdade é que não quero empedí-los.Também não quero empedir-me de não empedir você. Não me olhe como gente!
Não foi um milagre concebê-lo. O milagre será destruí-lo.
Alguem aí entende de aborto?
Dil Erick
Enviado por Dil Erick em 27/04/2005
Reeditado em 22/07/2010
Código do texto: T13454
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Sobre o autor
Dil Erick
Macapá - Amapá - Brasil, 29 anos
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