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O Caldo

Célia escreveu uma carta para a sua irmã:

Aimorés, 01 de Julho de 1965.

             Querida mana Leninha,

   Parabéns pelo aniversário seu e do Chico, no dia 10. Deus os abençoe e os cumule de graças.
Como vão vocês? Espero que estejam bem e com saúde.
Sexta-feira, dia 19, vou entrar em férias e gostaria de passar uns dias aí em Vitória. Pena que vou chegar depois da festa de vocês.
Mana, sou louca para conhecer a praia e até que enfim vou realizar o meu sonho...

Lena leu a carta e a mostrou ao marido que, por sua vez, pediu aos seus sobrinhos que levassem  a sua cunhada à praia.
Célia chegou de trem de ferro e, no dia seguinte, vestida com o maiô da irmã, foi à praia com a turma, toda contente, sem fazer a mínima idéia de como seria.
Areia, conchinhas e água salgada ela já conhecia, pois seu pai lhe levou de lembrança, quando foi à Guarapari. Ele lhe falou para ela ter muito cuidado com a onda e, quando ela viesse, era para ela se abaixar ou pular bem alto. Isso era a sua maior preocupação. A jovem perdia sono só em pensar na tal onda.
Chegando à praia, todos foram entrando e ela, que sempre detestou água fria, foi atrás. Por mal dos pecados, a água estava geladíssima.
- A água está boa, Celia? – perguntou-lhe Gracinha, só para mexer com a mineira.
-"Bidida, a ácua essssssstá barabilhossa!" - falou tremendo de frio.
A galera de capixabas morreu de rir.
Ainda, rindo muito, Anselmiho lhe perguntou:
- Você gosta de caldo?
- Gosto! Sou doida com esse trem! Quando criança, eu nunca comprava um copo de uma vez. Primeiro, pedia meio, bem generoso. Depois de tomar, pedia mais meio. Eu pagava um copo e bebia um e meio.
- É mesmo?! Gente, a Célia que é sabida! - e a afundou dentro d’água.
A moça achou muito esquisito aquilo, mas não falou nada.
 Daí a pouco ele voltou.
- Quer dizer, então, que você gosta muito de caldo, não é mesmo?
- Já disse. Eu amo esse troço. Nossa Senhora, esse trem é bom demais!
- Você gosta com ou sem pastel?
- Com pastel, é claro! Essa dupla é um trem de doido! - e a afundou de novo, só que desta vez ela não gostou.
- O que é isso, menino?! Eu não sei nadar! Você quer me matar, é?!
- Não! É só uma brincadeirinha! - e caiu na risada, junto com os outros.



                                        Anna Célia Dias Curtinhas










Anna Célia
Enviado por Anna Célia em 28/04/2005
Código do texto: T13543

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Sobre a autora
Anna Célia
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 70 anos
1158 textos (55232 leituras)
1 e-livros (216 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 06:17)
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