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PODER DE FOGO (DENTRO E FORA)

Eu tinha saído do banco, onde a funcionária mais uma vez  ofereceu-me plano de capitalização blem blem, disse que a instituição manda embora funcionários prestes a se aposentar, que não teve mais um filho porque o marido estava desempregado, que aquele emprego é essencial para a manutenção do filho na escola, que absurdo o preço da faculdade do meu filho, se eu não queria fazer mesmo o plano blem blem, se eu tive apenas um filho, que estava havendo um movimento na Paulista, para eu não esquecer de fazer o plano blem blem com ela  caso eu me decidisse,  se eu queria dinheiro trocado ou servia notas de cinqüenta, não, se eu fizesse questão ela ia pega notas de dez, para eu pensar bem no plano blem blem e não esquecer dela, tudo isso com uma simpatia ímpar,  os velhinhos impacientes já de anjo da guarda de pé atrás de mim, ela falou que ia atendê-los, chamava-os pelo nome carinhosamente. Era um turbilhão de gente portando bandeiras amarelas com dizeres da categoria. A grande massa, cerca de trinta mil pessoas,  proporcionava um espetáculo de protesto e reivindicação há muito não visto nesses tempos de shopping center, roupas de grife, linguagem cibernética cifrada, o trivial cotidiano musideclamadofalado. A manifestação foi organizada por um sindicato de professores da capital, as faixas traziam dizeres de protesto, expressavam os anseios e a decepção por promessas não cumpridas, mais uma vez, esse mote não tem fim. Diziam que os salários foram serrados, a solução kemsabe, fazendo alusão a nomes da administração municipal. A população nas calçadas parou para ver o número infindável de manifestantes passando ordeiramente. No final, motoqueiros realizavam um buzinaço e as viaturas policiais garantiam...o que mesmo eles garantem? Uma observadora lembra o  tempo em que isso era impossível, então dou graças a Deus que pelo menos isso pode, sem ninguém morrer, sem rostos serem filmados para posterior  identificação e aproveita-se o ano de eleição para lembrar aos candidatos os problemas crônicos à espera de um olhar político de boa vontade. O número de manifestantes impressionou. Consentido ou não, estava bonito.


07/04/2006
DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 07/04/2006
Código do texto: T135573
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
DIANA GONÇALVES
São Paulo - São Paulo - Brasil
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