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QUANDO EU MORRER...

Quando eu morrer, me livrarei deste corpo pesado, fétido e problemático... e meu espírito livre viajará pelo universo como o vento a procura do infinito. Dormirei na Lua, adorarei as estrelas, dormirei cada noite num planeta diferente... sentarei em Plutão, jogarei pedras nos meteoritos que por ventura passar por lá, fazendo deles meu alvo...
Sairei do Sistema Solar e deixarei a Via Láctea com suas duzentas e trinta bilhões de estrelas aproximadamente e andarei saltitante entre elas, brincando de amarelinha, flutuando sem medo pelo espaço... e entrarei noutras galáxias, deixando para trás nosso mísero Sistema Solar e nossa pequena Via Láctea... Irei a Andrômeda... e outras galáxias mais... descobrirei outros Sóis, outras Luas... outros planetas perdidos na imensidão do cosmos...
Meu espírito é veloz, e, sentindo os ventos cósmicos, desviando dos cometas, eu sumirei pelo espaço sideral para ver o fim do Universo ou talvez o princípio...
E ao olhar para os lados, somente meteoritos, cometas, planetas, estrelas, galáxias e o infinito indecifrável, incomensurável, incognoscível! Outros mundos! Mundos que jamais eu imaginava haver e ver!
E, então, me lembraria que na Terra, quando vivo, eu pensava que era alguma coisa e me orgulhava de saber de coisas e eu sofria por tão poucas coisas... e que o tempo... ah... o tempo... ele nunca existiu... nem existirá, mas passou tão rápido aqueles anos na Terra que eu achava que sofria e eu corria contra o tempo feito um idiota e agora, agora vejo que nada adiantou...
Onde estou, posso viajar bilhões de anos-luz em segundos... sou parte desta energia que se modifica, criando vidas e todas as espécies e tipos de vida... descobri que sou parte dos meteoritos, dos planetas, das galáxias... e vivia preso em meu corpo fétido e vaidoso...
Mas onde estará o fim ou o começo de tudo... agora que eu sei quem sou! Sou uma ínfima parte da vida nesta imensidão do cosmo. Faço parte de tudo! E não existe começo nem fim... tudo é eterno... apenas um eterno ciclo de energia dando vida à matéria para se adaptar aos mundos no momento oportuno formando novas vidas, novas coisas, novas matérias... apenas e simplesmente um eterno renascimento... comandado pelo acaso...
Assim é a vida...
Meu espírito está cansado... vou dormir um pouco para continuar minha longa caminhada rumo ao infinito... e sonhar. E nada na vida me interessa mais... quero apenas ser feliz...
Ah se eu  pudesse voltar e contar tudo que eu vi... e despertar na Terra... viveria intensamente cada milésimo de segundo de minha vida... amando intensamente e compreendendo a todos, porque não se leva nada para outros mundos, a não ser um coração afável e uma mente limpa de imundices... e cada energia está no seu devido lugar no tempo e na hora exata, construindo vidas e fazendo a vida florescer seja onde estiver...

Fim.
Lucas Durand
Enviado por Lucas Durand em 08/04/2006
Reeditado em 24/03/2013
Código do texto: T136081
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lucas Durand
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lucas Durand