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MANHÃ DE SOL (TEXTO FICÇÃO)

ELE COLOCOU A FITA NO TOCA-FITAS
E DE REPENTE A VOZ ROUCA DE MAYSA
ENCHEU O AMBIENTE SILENCIOSO
QUE SE FAZIA NO CARRO
"MANHÃ DE SOL..."
A VOZ BONITA DA CANTORA
NOS LEVAVA A UM ESTADO DE PAZ
E AO MESMO TEMPO DE MELANCOLIA
O CARRO DESLIZAVA MACIAMENTE PELO ASFALTO
E O SILENCIO NOS FAZIA
DISTANTES UM DO OUTRO
NAQUELE MOMENTO
TUDO ENTRE NÓS HAVIA ACABADO
NÓS VOLTÁVAMOS DA PRAIA
E LÁ NÓS ACABÁVAMOS
DE DEFINIR A NOSSA SITUAÇÃO
NÃO PODÍAMOS MAIS CONTINUAR
QUATRO ANOS DE CASADOS
DOIS DE VERDADEIRA UNIÃO
E DOIS DE SOLIDÃO MÚTUA
NÃO PODÍAMOS MAIS CONTINUAR
O SILÊNCIO QUE SE FAZ AGORA
É O SILÊNCIO QUE NOS ACOMPANHA
DESDE ANOS ATRÁS
UM SILÊNCIO QUE NOS MANTEVE
DISTANTES DOIS ANOS
MAYSA CONTINUAVA
COM A SUA MELODIA ALEGRE
MAS QUE A SUA VOZ
A TORNAVA MELANCOLICA
"O BARQUINHO VAI, A TARDINHA CAI..."
REALMENTE A TARDE JÁ COMEÇAVA A CAIR
O SOL JÁ COMEÇAVA A ESCONDER SEUS RAIOS
E A VERMELHIDÃO DO HORIZONTE
FAZIA UMA PAISAGEM BELÍSSIMA
NÓS CONTINUÁVAMOS PRESOS
A NOSSOS PENSAMENTOS
E NOSSA SOLIDÃO
A MÚSICA ACABOU
MAYSA TAMBÉM SE CALOU
E O SILÊNCIO FEZ-SE TOTAL
EU OLHEI PARA O PERFIL DO ROSTO DE ANDRÉ
NÃO ESTAVA SERENO
A INTRANQUILIDADE ESTAVA PRESENTE
NAQUELAS TRÊS RUGAS
QUE APARECIAM EM SUA TESTA
CHEGAMOS EM CASA
JÁ ERA NOITE
EU ACHEI MELHOR ANDRÉ IR PRA UM HOTEL
SERIA TORTURA MAIOR PERMANECERMOS
JUNTOS MAIS UMA NOITE
PORQUE DE QUALQUER FORMA
NÃO ESTARÍAMOS JUNTOS
ESTARÍAMOS SEMPRE DISTANTES
E ESSA DISTÂNCIA NOS FERIA
NOS MACHUCAVA
NOS DESQUITAMOS
E CADA UM FOI VIVER SUA VIDA
ERAMOS AGORA AMIGOS
DEPOIS DO DESQUITE
AS VEZES QUE NOS ENCONTRÁVAMOS
MANTINHAMOS UM RELACIONAMENTO
MAIS ABERTO, MAIS FRANCO
O SILÊNCIO JÁ NÃO SE FAZIA ENTRE NÓS
NOS ENCARÁVAMOS SEM MEDO
E QUANDO NOS SEPARÁVAMOS
SENTÍAMOS A NECESSIDADE
DE ESTARMOS JUNTOS
A SOLIDÃO AGORA, ERA QUANDO
REALMENTE ESTÁVAMOS LONGE
UM DO OUTRO
A DISTÂNCIA AGORA ERA VERDADEIRA
PORQUE UM ESTAVA AFASTADO DO OUTRO
E ESSA NECESSIDADE DE ESTARMOS JUNTOS
CRESCEU INTENSAMENTE
QUE NUMA BELA MANHÃ DE SOL
ANDRÉ ME APANHOU EM CASA
PARA IRMOS À PRAIA
EU ENTREI NO CARRO
ELE LIGOU O MOTOR
E O CARRO COMEÇOU A DESLIZAR
TRANQUILAMENTE PELO ASFALTO
ANDRÉ APANHOU UMA FITA
COLOCOU-A NO TOCA-FITAS
E MEU CORAÇÃO SORRIU
QUANDO A VOZ TÃO BONITA E SOTURNA
DE MAYSA SOOU ROUCAMENTE:
"DIA DE LUZ, FESTA NO SOL"



13/02/77       TEREZA NEUMANN

Tereza Neumann
Enviado por Tereza Neumann em 11/04/2006
Reeditado em 28/12/2008
Código do texto: T137334

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Sobre a autora
Tereza Neumann
Salvador - Bahia - Brasil, 62 anos
330 textos (15757 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 06:12)
Tereza Neumann