Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

      O URUBU CAGOU NA MINHA SORTE

     Estou seriamente preocupada com minha sanidade mental. Não que algum dia eu tenha sido muito certa das idéias, embora minha Nossa Senhora de Kátia, a gurua das idéias, amiga intimíssima de Dr. Freud e Cia. insista em sustentar a tese de que eu sou sim, muito boa das idéias, inclusive com direito a um bônus extra de equilíbrio. Tem hora que eu penso se de tanto me ouvir ela não começou a ficar meio dãããã. De qualquer forma, considerando o rigor científico da gurua e sua formação acadêmica, considero a autoridade da moça e respeito. Mas que tô preocupada com meus pinos, isso lá eu tô mesmo. 
     Poeta (você sabe que é contigo que tô falando), eu ando iguarzinha a ti, meu caro: ultimamente um filho-sabe-se-lá-de-que-puta urubu resolveu cagar direitinho em cima da minha iluminada vidinha, fazendo dela sua privadinha pessoal. O iguarzinha é pra ficar como tá, que eu agora entrei numa de vortá pras minhas raízzz, o que significa reaprender o caipirês. Uai, sô? Sabia não? Sou uma capiau de primeira. Gerada, nascida e criada nos interior de São Paulo e meio perrrrtinho das divisas com Minas Gerais. Voltando ao urubu, aquele neguinho cagão (nada de racismo, é que o bicho é preto mesmo) andou fazendo merda por todos os setores da minha humirde vidinha, sem aviso prévio e tive que sair às pressas catar papel giênico que era pra ver se dava conta da merda toda.
Com algum esforço, consegui dar uma faxininha básica em algumas partes. Outras permanecem a cargo do criador do bicho:o Arquiteto desta meleca de mundo por onde rastejamos todos. Ateus e agnósticos, protestos não são permitidos, respeitem minha fé cega porque tenho a faca amolada e a língua afiada. 
     Assim é que o urubu melequento, cagando por todo lado e me botando mais pra baixo do que cueca de padre (será que tem uma debaixo daquela saia toda?) sem querer acabou me fazendo um favor: com tanta merda por todos os ventiladores, o fiduminha acabou me botando diante da seguinte sinuca de bico: ou tu levanta ou tu levanta. Num tem escolha. Resultado: descobri que sou muito mais fodona do que imaginava. A merda continua rolando solta por todo lado, mas hoje olhei pro espelho e achei que tava a coisa mais lindinha desse mundo de meu Deus. “Moça, tu é bonita pra caralho, mesmo com essa boca suja que vai envergonhar tua família inteira.” Primeira vez na vida que aquele porra daquele vidro me fala algo que preste. Levantei com a macaca, dei uma bicuda boa no urubu, mandei ele procurar outra moita pra fazer suas necessidades, botei uma bequinha legal, pintei meuzoinho do jeitim que eu gosto, cheio dos delineadores eteceteraetal e saí pra vida. 
     Tá com a vida muito boa? Ih, coitado de você. Encomenda um urubu. Você vai ver que belezura vai ficar tua vida. Em tempo: pra quem não sabe, merda tem proteína pra cacete. Dá uma de cientista, isola a parte da proteína que vai te dar uma levantada legal e o resto...bem, o papel higiênico e o Cara do andar de cima dão conta. Boa cagada e seja feliz. 
    

  
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 11/04/2006
Código do texto: T137565

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154021 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 14:03)
Débora Denadai