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PIMENTA NO DOS OUTROS É REFRESCO

       Alice anda um tanto espantada com sua súbita fama. Se você não tiver lido as anteriores, certamente não sabe quem é  a Alice. Mas também não importa. Ela virou minha informante. Anda me passando todas as historietas de que dispõe e eu viro uma espécie de  ghost-writer da meiguinha. Andei contando pra ela dos emelhos  (alguns até são e-mails normaizinhos, mas tem sempre um pentelho no meio do mail):
- Alice, tu agora me viraste em consultora sexual ...Justo eu, que mal sei pra mim, tô pitacando na cama alheia.
- Ah, mas você leva o maior jeito com as palavras...e esse negócio tá divertido.
- Divertido, é? Daqui a pouco abro o fotoblog da Dra. Alice – Hormônios e Demônios...Agora tem gente querendo apimentar a relação às custas de palpite meu...fala sério, Alice.
    Segue que Alicinha se animou e saiu me contando de suas passeadas pela net e sérias pesquisas que anda fazendo sobre os hábitos sexuais dos rapazes e moças. Para ser sincera, fico até aliviada. Do jeito que Alice era viajante no País das Maravilhas, não me surpreenderia se quisesse estudar a vida sexual das minhocas, dos tatus e outros bichos.
    Numa dessas incursões fofoqueiro-psicosexuais-filosóficas, Alice deu de conversar (vejam bem, começou a conversar, expressão apenas. Não deu nada, nem virtualmente, pobrezinha) , enfim, deu de conversar com uma  moça cujo parceiro de alcova estava sempre inventando uma novidade para  o rala e rola do dia. Já tinham passado pela fase das inúmeras e mais inusitadas lingeries que a mocinha tinha que envergar. Boa parte das vezes contra a vontade, porque sabe-se bem que tem gente que tem uma certa tara pelo mau-gosto e exagero.
- Alice, ele comprou um fio dental vermelho-tomate com pluminhas na bunda e uma rasgo enorme na ...bem, nela mesma. Ridículo! Quase broxo de tanto rir. Usei, porque senão ele morre de ofendido, tadinho...
- Ah, peraí, ninguém merece, fofa...Por que c não mandou ele colocar nele mesmo? Ia ficar lindo : fio dental vermelhinho de pompom e o penduricalho dele saindo pelo rasgo...hehehehe
      Intimidades daqui e dali, a moça um dia vem com a outra novidade: no mais perfeito estilo 9 e 1/2 semanas de amor, o bofe trazia de tudo: vibrador, balinha de halls pra dar geladinho nas lambidas, chandelle e congêneres.  Deu pra ir (deu, de novo, é expressão...só a fofa é que tava dando tudo) ao supermercado com a moçinha só pra dar uma espiadinha e ver o que tinha ali pra juntar, literalmente, a fome e a vontade de comer. E comia e lambusava. Uma bela noite, o bofe chega, cheio de amor pra dar e anuncia em tom teatral:
- Gostosa, é hoje que vamos apimentar nossa transa, botar fogo nessa cama, vou te deixar em brasa, mulher...
    Com um anúncio desses, não precisa dizer que a fofa já estava minando por todos os buraquinhos do corpo. A história do Halls na lambidinha já tinha sido do barulho. Literalmente. Um dos vizinhos do prédio chamou a polícia pensando que Dona Fulaninha estava sendo espancada até a morte, tamanhos uivos se  ouviam no prédio.
Rapidinha, a fofa tratou de buscar na mala de lingeries (que já era quase uma loja) a mais hot, porque o clima ia mesmo esquentar...Banhos e banhos, cremes, perfumes, rosas pelo quarto, espelhos bem posicionados , velas e incensos, champagne geladésima e o inferninho estava pronto. Só agora era botar o diabo pra fazer o seu showzinho.
Vem o bofe, cuequinha da hora, todo besuntadinho pra brincar de escorregador e vai logo dizendo:
- Vai, gostosa...vai virando de costas que eu me acabo nesses morros ...
            Até aí morreu o Neves. Nenhuma novidade. Ele sempre tinha sido tarado pelo derrière da garota, que segundo consta nos anais (aqueles também) era realmente um prodígio de beleza.  E o fofo começa a brincadeira de parque aquático, com a meiguinha no papel de tobogã...E era mão, era peito, era dedo, língua e todos os acessórios escorregando na mocinha, que já estava apitando feito chaleira de tanto tesão. De repente, uma sensaçãozinha meio gelada na pele, as mãos dele untando as pernas dela com alguma coisa, subindo pelas coxas.
- Gato, que é isso aí? Dá um geladinho tão gostoso....hummmmm
- Se segura, gostosa...tá geladinho agora , mas vou te esquentar rapidinho...
      A mão continua entrando no potinho e voltando melada lambusando a pele da fofa, e vai subindo, subindo até chegar na grande amiga de todas as horas e seu vizinho igualmente amigo. A moça vira os olhos, revira, bufa e ......

- PIMENTA!!!!!!!! Seu cachorro, feadap..., quer me matar, seu louco?

       E dê-lhe sair correndo em busca do banheiro mais próximo. Resumo da ópera: a amiguinha da Alice, depois dessa apimentada noite, passou um bocado de tempo off-line , dando uma cobertura médica na sua amiguinha e no vizinho cruelmente atingido. Queimadura, pequenas bolhas e uma ardência violenta que quase transforma nossa amiguinha assanhada em Madre Superiora de Convento Carmelita.
       Resulta, criançada, que acho que vamos ter que ter mais cuidado com as armadilhas da língua ( e aqui estou falando do idioma messsssmo) : quando alguém falar em “apimentar a trepadinha” é bom ter certeza de que é figura de linguagem. Caso contrário, vale o velho ditado: pimenta só é refresco se for no dos outros....
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 29/04/2005
Reeditado em 29/04/2005
Código do texto: T13785

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154028 leituras)
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Débora Denadai

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