Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Sabão Preto

Quando crianças, na hora do banho usávamos  sabão preto de fabricação própria! Para nos persuadir, ou consolar, nossa mãe dizia que ele era bom para a pele, porque não entrava soda  como ingrediente e sim  dicuada. Sabonete era só para nossos irmãozinhos  recém-nascidos. A gente achava aquilo um luxo!
E o uso do sabão preto foi dando certo até que um dia...
Lá em casa chegaram uns priminhos muito encapetados. A mãe ficava  sossegadamente de prosa com meus pais e nós vigiando aqueles meninos endiabrados  que não davam folga: corriam atrás das galinhas, puxavam o rabo dos gatos, pisavam nas hortaliças. Era um deus-nos-acuda. Não víamos a hora que eles fossem embora. E assim que se foram, Edwirges, nossa irmã caçula das mulheres, correu para o banheiro. Queria ser a primeira a descansar com um gostoso banho de chuveiro.
Mas daí a pouco, escutamos uns gritos  e pensamos que ela tivesse tomado um choque elétrico. Qual nada! Ela havia passado a bucha vegetal no sabão preto, que já estava amolecido na saboneteira,  e quando esfregou-a no corpo, nada de espuma. Pelo contrário, veio um  mau cheiro que ela logo constatou ser de cocô mesmo! Ela nunca perdoou aqueles meninos arteiros, que fizeram tal maldade. E eles também nunca mais nos visitaram.



fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 12/04/2006
Código do texto: T138164
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
1058 textos (204344 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 04:35)
fernanda araujo