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Posso ser amada por você?

Filmes também são cultura, produzi esta crônica a partir de um que vi a muito tempo...

Não me lembro ao certo, mas era um filme... Recordo-me do rapaz novo e caipira chegando na universidade... Ele foi ver seu quarto, disseram que ele ficaria com o Alex, e que Alex tinha repetido diversas vezes aquele período. Ele foi para o quarto, certo de que ali teria como se divertir... Encontrou uma mulher no quarto, e já se animou, perguntou pelo Alex, ela estendeu a mão e disse, eu sou Alex - que ironia- era uma mulher.
Ele ficou constrangido, embora, não desse muita bola para a garota, que cada noite saía com um cara diferente.
Ele foi para sua tão esperada aula, Artes Cênicas, lá o professor disse o seguinte:”Vocês tem que chamar a atenção da pessoa que está a sua direita”, sendo que todos estavam sentados lado a lado... Ele começou a tentar chamar a atenção da pessoa que estava a seu lado (não me recordo se homem ou mulher), de repente do seu lado esquerdo alguém começou a chorar e gritar:”Eu sei que te magoei, mas isso não se repetirá, volte para mim, eu te amo, eu te amo!!!!! ”, ele se virou e lá estava Alex, chorando, todos se voltaram para ela, e prestaram atenção. O professor bateu palmas e gritou: “Muito bem, Alex, você conseguiu, parabéns!”, ela sorriu e sentou, pois agora estava ajoelhada. Ele, ficou atônito, e também se riu.
Um mês após eles estavam se dando bem, viraram amigos, iam para festas juntos.
Numa dessas noites, voltaram de uma festa, bêbados e caíram juntos na cama, se beijaram e dormiram juntos, permaneceram quase que namorando, dormindo juntos, saindo juntos, se divertindo.
Uma noite algo aconteceu, Alex chegou tarde e ele viu quando ela foi deixada por outro em casa. Ele se sentiu traído, não lembro bem, se de certo o foi, mas a partir dali começou a evitá-la... Sempre que ela chegava ele saía.
Passado um trecho do filme, ele foi para uma aula de expressão corporal, onde a professora mandou que se voltassem para uma pessoa do sexo oposto que estivesse perto, quem era? Ah, claro, Alex. E a ordem foi dada, as partes tinham que falar uma frase para a outra, com emoção. As frases eram: “Eu posso ser amada por você?” e a resposta: “Você pode ser amada por mim!”. Ela disse então: ”Eu posso ser amada por você?!?”, ele respondeu: “Você pode ser amada por mim.”, ela gritou: “Eu posso ser amada por você?!?”, e ele respondeu ainda sem emoção: “Você pode ser amada por mim.”, ela falou já enfraquecida pelas lágrimas: “Eu posso ser amada por você?” e ele sentiu a emoção, gritou: “Você pode ser amada por mim!”, a cena se repetiu mais umas duas ou três vezes, foi quando ela chorando disse a última vez: “Eu posso ser amada por você!?!”, e saiu da sala correndo e chorando... Ele, correu atrás dela, gritando e chorando: “Você pode ser amada por mim!”, “Você pode ser amada por mim!”, “Você pode ser amada por mim!”.
Não importa mais o filme, eles ficaram juntos no final, mas essa cena ficou marcada, na minha memória poética... E agora, que o filme está já tão distante, me pego no lugar de Alex, que serve para será amiga, mas não se sabe se é boa o bastante para ser namorada... Pergunto então: “Eu posso ser amada por você?????”, e espero que haja ainda possibilidades de que a resposta venha a ser: “Você pode ser amada por mim!!!!”.
Bem, memórias à parte, tenho medo, de que tudo que foi dito caia no esquecimento, e por isso mesmo, transcrevo meus pensamentos, quem sabe um dia irão me entender?
Um dia apenas e eu estarei na memória poética de alguém, já dizia Santo Agostinho: “O que eu amo quando eu te amo?”, e eu respondo que o dia que essa pergunta tiver resposta, eu não mais te amarei, não mais sentirei tua falta, porque o amor não tem porquês, assim como a rosa, floresce porque floresce... Não tenho porquês de ser apaixonada por ti, mas sei apenas que sou apenas mais uma que se emociona, que se apaixona, que ri, e que chora, e teme, perder teu amor, antes mesmo de o ter...
As situações presentes não garantem a esta Alex pedir que abandone tua vida em busca desse amor, que pode durar apenas uma noite, mas, assim como Sherazade, que não era bela, mas que tinha tantas histórias pra contar quanto o seu sultão pudesse ouvir, eu tenho tanto para te contar, assim como você possa suportar.
Terá essa Sherazade que dizer para o seu sultão: “Eu posso ser amada por você? ”.
Acredito ainda que pode ela fazê-lo feliz, e algum dia ele há de saber o quanto, espero apenas que não seja tarde demais...
Enquanto isso, a Sherazade moderna poderá ainda contar suas belas histórias, mesmo que ela não corra o risco de ser morta no dia seguinte, uma pessoa amiga minha diz que o importante não é ser a primeira mulher na vida de um homem, e sim, ser a última.
Ainda estará lá...
Luandra Russo
Enviado por Luandra Russo em 22/04/2006
Código do texto: T143378
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Sobre a autora
Luandra Russo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
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Luandra Russo