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Qual é o limite da dor?


Assim, retorna a pergunta: “Será que devemos realmente julgar o outro?”, a pergunta já é por si só perigosa, como sabemos que o outro é tão mal? Como podemos afirmar que o outro não presta, ou que não sabe o que faz? Ou ainda, como podemos dizer que não tem Deus no coração?
Qual é o limite da dor? Esse limite, sem dúvida não sou eu quem dirá! Não há quem saiba qual é o limite de sua dor perguntando ao outro, só pode julgar se a dor é grande demais quem nela está. Ainda assim, o que mais se vê por aí são aqueles seres que apenas dizem: “Ah, sua dor é pequena. Ah, você é muito novo pra sofrer por isso. Ah, tem tantos por aí, numa fila de transplante. Ah, você deveria sofrer por algo real.”. De certa forma eles têm razão, não se pode tirar a razão deles, mas daí a achar que eles são os senhores da razão, não, isso não.
A razão é por si só perigosa, assim como um versículo muito bonito que na bíblia há: “conhecereis a verdade e ela vos libertará”. A verdade está dentro de cada ser-humano, e é essa mesma verdade que pode ser chamada de razão. Não estou contudo julgando o fato de Jesus ser a Verdade, como ele mesmo afirmou, mas a verdade que prego como razão nada tem a ver com Ele.
O limite da dor está bem equivalente a verdade. Para cada um existe um limite, e para cada um existe uma verdade, basta que cada qual descubra o seu e se respeite. Não julgo ser correto alguém jogar todas as culpas em cima de Deus, só porque ele não viria aqui se defender. Não atribuo a Deus apenas a bondade e nem apenas a maldade, mas sim, a justiça. Muito possivelmente teríamos vários espertinhos se aproveitando da bondade de um Deus apenas bom. E um deus apenas mal fatalmente pereceria. Mas um Deus justo, que apenas faz o bem, mas deixa que o mal aconteça para que nós humanos saibamos que toda ação gera uma reação, este sim é de fácil compreensão.
Não com isso deixo de acreditar em milagres, afinal, todos os dias eles acontecem. Com toda certeza, de dormirmos e acordarmos no dia seguinte, é certo que algo de milagroso aconteceu.
Há muitos mistérios na obra de Deus, e mesmo assim, me considero eximia curiosa, pois, não aceito uma verdade rápida que eu não possa decidir.
O limite da minha dor está sendo todos os dias ampliado, e me acho meio que atleta, pois a dor que hoje sinto, se me fosse dada a algum tempo atrás eu não saberia lidar com ela. O interessante a se afirmar é que, se não passarmos por uma dor como deveríamos, lá no futuro ela nos volta, algo ou alguém nos remete a ela novamente. E aí, temos a chance de escolher outro caminho, aquele trevo da vida que nos foi colocado no passado, voltamos à ele, e nos achamos andando em círculo, mas... Há sábios dizeres: “Nunca entramos num mesmo rio duas vezes”, ou seja, nunca passamos por um mesmo caminho duas vezes, o corpo pode até passar, mas já somos outra pessoa, já estamos numa outra consciência, o que torna o caminho-rio diferente.



Se cruzei contigo no passado,
Éramos tão diferentes,
Nossas crenças eram outras.
Nos vimos de forma diferente...
Mas, é tão bom te ver agora,
Acho bom o seu tom de pele.
E as rugas que encontro em seu rosto...
Ah, como queria ver como se formaram.
Eras tão jovem da primeira vez,
Mas sinto um quê de cicatrizes em ti,
Percebi o que houve,
Cresceu, e como todo crescimento...
Machucou e cicatrizou,
Se tornou um adulto,
Mas, aquela criança ainda está aí...
Foi ela quem me mostrou que era você!
Nos olhos ela brinca...
E me conta tantas coisas interessantes...
Me diz que você se lembra de mim também.
Ah, sim, claro,
Tenho rugas também,
Ou você achava que eu não cresceria?
Aprendi a sorrir,
De verdade, com a alma aberta...
Aprendi o sublime valor de um sorriso,
E aprendi também que as lágrimas
Não são sinais de fraqueza,
Mas sim de força, pois a força nos ajuda a crescer...
Claro, aquela menina ainda está viva...
Ainda brinca aqui dentro,
Ainda se lembra de você!
Ainda somos jovens,
Ainda temos muitas chances,
Agora mais sábios
Podemos perceber porque tudo acontece!
Vem, vamos caminhar...
E me conte tudo o que houve contigo!



Te desejo todas as dores do mundo, mas que a cada uma delas tu te tornes uma pessoa melhor, que não julgue os outros e não se julgue mais sábio que outros tampouco.
Sei ainda que por mais que eu saiba o motivo de minhas dores, elas não deixarão de existir... E nem serão mais amenas, mas eu saberei que o crescimento e a evolução são necessários e lutarei, para que o quanto antes eu possa vencê-las. Conheci a verdade, e ela me libertou, a verdade de minha alma, de meu espírito. Espero que outros possam fazer o mesmo.
Luandra Russo
Enviado por Luandra Russo em 23/04/2006
Reeditado em 23/04/2006
Código do texto: T144120
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Sobre a autora
Luandra Russo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
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Luandra Russo