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Mas é carnaval, não me diga mais quem é você/Amanhã tudo volta ao normal” (Noite dos Mascarados –Chico Buarque).
 
Fevereiro no Brasil: tem carnaval. E quem é que não tem uma história pra contar?

Quando eu tinha uns sete anos de idade, eu me lembro do primeiro carnaval do qual eu participei: minha mãe havia feito em sua modesta máquina de costura uma fantasia de bailarina para eu brincar na matiné do clube. A roupa pinicava horrores, mas tudo era alegria: eu me encantei com a meninada pulando, jogando confetes e serpentinas para todos os lados, enchendo de cores o salão de festas. Muitas das letras das marchinhas de carnaval que ali ecoavam não ganhavam a minha compreensão, mas o balanço descoordenado nos braços e quadris da meninada não deixavam dúvidas de que o ritmo não carece de explicações para ser contagiante.

Carnaval é uma festa popular e como tal, é recheada de histórias engraçadas e tristes.É a época em que mais mulheres e homens tornam-se magicamente belos aos olhos do outro após uma certa dose de álcool a mais:

- Quando Deus te desenhou ele tava namorando?

Tem gente que, no calor da festa, troca telefones, marca encontro e só então, sóbrio, descobre que o “Príncipe Encantado” com o qual trocou beijos ardentes durante a noite toda era um tremendo sapo e a Sereia, impressionantemente a cara (e o corpo) da Juliana Paes era a Bruxa do Mar (afinal, pessoa pode se fantasiar do que quiser, não?).

Lembro-me de um Carnaval em Minas Gerais: passou por mim um casal, cujo rapaz se destacava por assemelhar-se a uma drag queen: salto plataforma, roupa colada ao corpo, maquiagem pesada:

-Eu te amoooo, minha rainha! – gritou-lhe um folião pra lá de Bagdá.
 
Cheguei até a visualizar a briga: os dois marmanjos se engalfinhando, a purpurina desprendendo da fantasia, a mocinha gritando: “como é que você tem coragem de bater em uma mulher, seu brutamontes?”

Mas o rapaz caracterizado teve uma reação nobre: começou a esfregar o antebraço na boca para remover o batom carmim, todo sem graça. Enquanto sua namorada-sylvester-stallone-rambo arrebentava-se em risos, ele tentava se livrar, a todo custo, da produção.

Voltando ao trabalho depois de um carnaval, uma colega me confidenciou que havia beijado dois rapazes no mesmo baile. Mais tarde, quando estava nos braços de um, apareceu o primeiro, com uma dúvida fatal:

-Quem de nós dois beija melhor?
 
O que ela não sabia é que se tratavam de dois irmãos.Uma saia pra lá de justa.A moça meteu a máscara na cara, deixou os machos de cristal para trás e correu para casa pouco depois da meia-noite, com cara de abóbora.


Alugar casas no escuro neste período também é um problema. Ou para o locador ou para o locatário.O dono ressalva que a casa comporta apenas oito pessoas e mais tarde fica sabendo que foram trinta pessoas para o local; às vezes, quem mente é o proprietário, dizendo que o imóvel é uma coisa que não é. Ouvi certa vez uma história de um grupo de jovens que locou uma “ótima” casa pra comemorar o carnaval, mas, o que encontraram foi, dentre outras decepções, um banheiro em péssimas condições de uso: passaram o feriado todo defecando em sacolinhas plásticas de supermercado.Um horror!
 
Tem gente que se apaixona no carnaval. Outros, aproveitam o feriado pra dar pedir um estratégico tempo às suas atuais paixões:
 
-Quero ficar um tempo sozinha, entende?

Sozinha? Aham! Senta lá, Cláudia!

Carnaval, para muitos, é sinônimo de excessos: muita comida, bebida, amores e violência, infelizmente.
 
Que o leitor aproveite os dias para descansar, brincar, rever os amigos, viajar ou se preferir, ficar quietinho em casa, pra ter o que contar depois, sem se envergonhar do próprio relato.
 
Uma coisa é certa: como dizia a minha mãe, carnaval é a festa da carne, portanto, não enfiemos o pé na jaca. “Alalaô” sim, mas com responsabilidade!


(Maria Shu – 17 de fevereiro de 2009)

 
 
 
 
 
Maria SHU
Enviado por Maria SHU em 17/02/2009
Reeditado em 09/02/2011
Código do texto: T1444163

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Sobre a autora
Maria SHU
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Maria SHU



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