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Miseráveis...

        Manhã de 04 de abril de 2006, litoral sul de São Paulo, mais precisamente em Praia Grande, eu e minha família chagávamos para um merecido descanso num daqueles conjuntos de apartamentos que todos querem se hospedar, que fica defronte para o mar e não traz dificuldade alguma para alcançar as águas frias e salgadas do Oceano.
Mas em meio aos prédios, algo espantoso me chamou atenção, a estrutura de um prédio de três andares, totalmente abandonado, abrigando uma família de mais ou menos seis pessoas, sem nenhuma condição de moradia, sem conforto algum, sem paredes, nem energia elétrica, sem água encanada, sem nenhum tipo de tratamento de esgoto. Um verdadeiro esqueleto de concreto armado e envelhecido servindo de residência para aquelas pessoas.
E, eu me pergunto, até quando, Meu Deus, iremos abrir nossas janelas e deparar com tal situação?
Será que os homens do poder nunca terão olhos para esse lado do mundo?
Ainda falam em salvar a Varig que está à beira da falência. E o nosso povo, não precisa de salvação?
Quantas “VARIGs” estão por aí a fora para serem salvas, são vidas, são seres humanos, são carne e osso. Adultos, jovens e crianças esperando para serem salvos, mas isso não dá ibope, não dá lucro, não vira notícia, não vende jornal.
Pessoas vivendo na mais absoluta miséria, precisando do mínimo necessário para ter uma vida digna.
Talvez seja esse, o motivo do mar estar triste naqueles dias, é isso mesmo, o mar estava triste, estava sem brilho. Suas ondas não traziam emoção nem para as crianças que brincavam nas areias fazendo castelos, esperando que as águas viessem com alguma violência para desmanchar.
Aquele cenário deixou o mar muito triste, apagou um pouco o seu brilho.
Sei que jamais sairá da minha mente aquele cenário, mas tenho esperança de que um dia, muito em breve, tudo será diferente. Aquela família estará trabalhando e vivendo num lugar digno, o mar estará feliz, com seu brilho radiante, e suas ondas espumosas estarão novamente derrubando os castelinhos de areia construído pelas crianças.
Nossas “VARIGs” de carne e osso estarão salvas, e de nossas janelas veremos as maravilhas de Deus ao invés de esqueletos de edifícios abandonados servindo de abrigo para seres humanos.


Eduardo Manoel
    Abril/2006
Du
Enviado por Du em 25/04/2006
Código do texto: T145048
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Sobre o autor
Du
São Carlos - São Paulo - Brasil
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