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POVO SEM MEMÓRIA, SEM CULTURA E SEM HISTÓRIA É POVO QUE NÃO EXISTE

Em 1928 foi eleito Presidente do Estado do Rio Grande do Sul o Dr. Getúlio Dorneles Vargas com o apoio da Frente Liberal que se compunha de Chimangos e Pica-paus. Em substituição ao Dr. Antonio Augusto Borges de Medeiros mais conhecido como “Antonio Chimango”, Vargas obteve o apoio dos adversários e por unanimidade foi levado ao cargo gloriosamente.
Promessa gaúcha no cenário político-nacional, brilhante e inteligente advogado, recebeu inúmeras homenagens do povo e dentre essas a inauguração de um busto no interior do prédio da Alfândega no Porto de Pelotas, busto que foi depois removido para a pracinha em frente ao prédio da Alfândega (onde se encontrava).
Com o passar dos anos, e devido à decadência das atividades portuárias em nossa cidade, a zona urbana do Porto ficou extremamente abandonada, principalmente à noite, e à mercê da marginalidade que promovia a depredação constante de monumentos em busca de metais como o bronze para transformá-lo em dinheiro.(?)
 Com o interesse de preservar tal relíquia, o busto foi retirado da pracinha em 1991 e guardado na Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente na época para posterior colocação em local público expressivo.
No governo municipal de João Carlos Gastal (PTB) foi implantado a Praça Cel. Pedro Osório uma lápide granítica com a Carta Testamento de Vargas onde os trabalhistas nos 24 de agosto faziam suas homenagens ao grande estadista lembrando sua trágica morte.
Finalmente, com a construção do "calçadão" da rua XV de Novembro, lá instalaram-se os dois monumentos, por um lado o pedestal com o busto histórico de Getúlio e a lápide com a Carta Testamento ao seu pé, de forma inúmera perfeitamente harmônica, e trabalhistas se sentiam honrados em conservar aquele acervo de inigualável beleza e valor histórico-cultural para a nossa cidade.
Estou indignado e surpreso com o "furto" da placa de bronze que continha a Carta Testamento de Getúlio. Acredito que o deliquente que o praticou realmente não tem consciência do que fez. Acredito, também que os trabalhistas estão novamente de luto e a população pelotense envergonhada pela supressão de tão valioso patrimônio que acima de tudo não diz respeito unicamente ao fundador do Partido Trabalhista Brasileiro, mas sim ao maior Estadista Brasileiro de todos os tempos. Pai dos pobres. Presidente que criou todos os instrumentos legais em defesa do trabalhador e culminou com a outorga da CLT - Consolidação das Leis do Trabalho, com a criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões, com a legalização e incentivo aos Sindicatos de Classe que valorizaram os trabalhadores que compõe a maior parte da população de um país como o nosso. Não podemos entender esta ação de vandalismo a não ser pela falta total de segurança e policiamento de nossas ruas e avenidas. Minha indignação está aqui exposta e sei que esta ação receberá resposta, pois povo sem cultura e sem história é povo que não existe.

Escrito em 2006.

Do livro “Crônicas, Contos e Poesias” editado pela Editora a Gráfica Universitária da UFPel em 2007 e lançado na 35ª Feira do Livro de Pelotas/Rs.
Barnabé
Enviado por Barnabé em 23/02/2009
Reeditado em 20/03/2011
Código do texto: T1453074

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Sobre o autor
Barnabé
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 68 anos
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