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AMIZADE: A TEORIA DO REENCONTRO NA PRÁTICA

“A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para outra: O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!”
( C.S. Lewis ) 


     Sei que é um clichê, chavão ou seja lá como for que queiram chamar, mas é a mais pura verdade: sou de poucos amigos. Possivelmente minha contagem não atinja os dedos de uma mão, o que em algum momento me levou a pensar que certamente havia algo de errado comigo, de vez que via gente que tinha coleções de amigos, pelo menos de acordo com seus conceitos subjetivos da palavra. De novo, comecei a imaginar que o erro fosse meu, que talvez eu fosse exigente demais e daí a botar alguém na classificação de amigo fosse pra mim uma espécie de parto doloroso após uma gestação de elefante (aliás, nem sei quanto dura, mas fica assim mesmo). 

     Fuçar as minhas memórias e voltar para as aulas de Filosofia e os papos sobre aqueles gregos todos me fez ver que eu não estava só na minha chatice criteriosa. O velho e bom Aristóteles já dizia que quem tem muitos amigos não tem nenhum e creio eu que, por extensão, ele queria dizer que quem é amigo de todo o mundo só é amigo de si próprio. Podem me chamar de chata, crica e desconfiada, mas é no que acredito. Os poucos amigos elevados ao meu Parthenon particular dessa categoria são aqueles que vieram de onde eu não esperava, quando eu não tinha chamado por eles e me ofereceram ajuda sem que eu pedisse. E o melhor: o reconhecimento mútuo foi imediato. 

     Tenho um lado, melhor dizendo, tenho todos os meus lados muito espiritualistas – a platéia cética, por favor, pode parar de ler aqui, se quiser – e isso me leva à mais absoluta crença na coisa de que somos almas muito antigas e eternas. Podemos passar séculos vagando por aí, nos espalhando pelo mundo, marcando desencontros, mas, no dia em que topamos com uma alma amiga, o reconhecimento é imediato e o laço nasce de um aparente nada. Aquela coisa da frase aí do topo, quando de repente você acreditava que determinadas coisas só aconteciam na sua cabeça e vem alguém do nada e vira um espelho na tua frente. Lógico que haverá diferenças, até porque nem a imagem refletida no espelho é exatamente aquilo que somos. Mas haverá um respeito imediato e automático pelas diferenças e um bem estar imediato na presença daquela criatura.

     Minha teoria, felizmente, vem sendo corroborada a cada um desses amigos que tenho acrescentado a minha contagem. Todos entraram da mesma maneira na minha vida. Todos entraram por aquela porta que os céticos chamam de acaso, e que eu, insisto, chama-se Reencontro. São os que nos amam não apesar de conhecerem nossos defeitos e idiossincrasias, mas nos amam COM todas estas coisas. E aparecem sem que chamemos. E nos reconhecem como nós os reconhecemos, de imediato. E são aqueles com quem podemos compartilhar o silêncio sem constrangimento e que nos fazem felizes apenas por existirem. E somos felizes porque sabemos que eles também pensam assim. 

     Tô piegas demais? Graças a Deus. Eu tenho amigos verdadeiros. Quantos podem dizer isso? Se você pode, então anda reencontrando velhos, velhíssimos e amados laços que só esperavam a hora certa para serem reatados. Caso contrário, ou você está andando por praias erradas ou teu conceito de amizade precisa de uma pequena revisão...



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 27/04/2006
Código do texto: T146324

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai