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A VERDADE NUA, A VERDADE CRUA E A V. NUA E CRUA

                                                                                             
Quem tem medo da verdade? Pergunta que estremece e apavora quem armazena pontos de friccionamentos  não permitidos, quando se trata de pôr em arrumação a conduta congelada, em que os alfinetes não deixam riscos e as navalhas não atingem os pelos naturais que encobrem o mundo ouriçado dos sobreviventes, que o termo faz sancionar, quando chamados a fadadas explicações.
          A crueza da verdade penetra nos locais mais exóticos, munda-
nos e transparentes, realizando transplantes e operações plásticas;
diminuindo as rugas em porões e corredores de velhos casarões mal-
assombrados, tentando esconder estórias difíceis de se contar.
          O esconderijo dos amantes está cheio de manchas de sangue, e a verdade ronda por ali acorrentada, escusando-se receber os seus credores, oferecendo desvendar segredos escritos em pequenas fachadas, reservadas aos romances novelescos.
          Somente a mentira pode contestar o poder da verdade, de decididamente impor-se, mostrando astúcia; assinando relatórios; encaminhando testemunhos; soando o apito que anuncia a partida, antes do primeiro banho em água fervente.
          A verdade, o que traz de grandeza a uns, leva de empreitada a outros o direito de se enrolarem em cobertores ensopados, receosos de que os ais do passado sejam vendidos e tabelados no varejo, contaminando até as vacas nos pastos, onde as raças não se misturam, nem tiram partido desse tipo de arrepio amoroso.
          A VERDADE É COMO A ESCURIDÃO DA NOITE CHUVOSA:
não se pode ler a escrita molhada, protegida por dura lei, guardada em cofres de segredos intransponíveis.  Muitas lamentações, com poucas soluções.
      Em desabafo, diz um amigo:- “Minha irmã está desquitada do marido, que não tem nada para lhe deixar como sustentáculo, ou ajuda, pelos quinze anos de vida em comum e quatro filhos em crescimento.”
           Outro:- “Meu pai largou minha mãe quando eu tinha apenas sete anos e nunca mais voltou.  Vivemos uma vida de pesadelos e pouco dinheiro; sofremos  muito; "comemos o pão que o diabo amassou.”
          Outro:- “ Por imposição de meu pai sou obrigado a aturar sua amante, pessoa intragável,  de gênio insuportável.”
           Outro:- “Sou renegado por minha mãe desde o nascimento; ela preferia uma menina; não me considero culpado por isso”
          Outro:- “Taxado de homosexual expulsaram-me de casa aos desesseis anos.  Daí para cá sou como um estranho na família.”
         Outro:- “ A mulher não me aceita em casa, como a todos os homens.  Diz que não preencho os requisitos de marido; é assim desde a lua-de-mel.”
          Outro:- “Sinto que não fui bem sucedido ao escolher a profissão de advogado; agora sou vendedor num balcão de loja comercial, tendo que me submeter a todo tipo de humilhação, além do baixo salário e o horário apertado de trabalho.
          Esta é uma crueza das peças pregadas e da incontida persuasão que leva todos ao cumprimento do tratado que a verdade assume, impondo exigências ao seu arquivamento.
          Como verdadeiro só posso afirmar: - A verdade nua e crua põe em retirada os seus contestadores e os conduz à presença do juiz, tornando-se cada vez mais nua e crua, mostrando toda sua destreza, expulsando do trono todos os assambarcadores, ditos dos seus domínios.
Zecar
Enviado por Zecar em 04/05/2005
Reeditado em 11/08/2007
Código do texto: T14656
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Sobre o autor
Zecar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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