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Lanternas de Ouro

Não sei como dizer. Talvez, no lapso de tempo que cerca o homem e suas coisas, lá tenha eu me perdido. Tudo o que passou, passou, inerte,às vezes, pujante.Mas passou.

Mas uma história ficou em mim e não sei se serve como ser aprendiz dos espíritos ou revela o milagre interior que cada um carrega dentro de si.

São coisas simples, luzes de vintém. Mas quem o vive, vive eternamente cada segundo. E assim foi com aquela mulher,espírito de deuses! Ela surgiu na minha vida, sem eu nada perguntar.

Foi numa tarde de outono e - lembro até hoje, corria um riacho medroso e pedregoso ao lado da rua.. Em cima havia uma meia-luz de cimento, onde se sentavam os namorados.

Foi o dia que a encontrei. Cedo na vida, não sabia que o destino prepara armadilha tão vicejantes como ardorosas.

E foi assim. Foi um olhar caído, foi um beijo, foi um abraço e descobrimos aquilo que, todos algum dia, deveriam descobrir: o outro lado de você.

Neste quarto desarumado que é sua vida, subitamente, e durante uma única vez,você encontra seu outro espírito que talvez vagueia pela Terra.

A gente nada entende de coisas misteriosas, mas se você conseguir apalpar esta névoa escorregadia, que pelos seus dedos esvoaçam, você terá conseguido uma outra vida e remanejar seu espírito para outras queras.

Não falo de Deus -que não sei se a Ele pertenço,Se a Ele acredito, ou nada faço diante Dele.

Falo que existe na Terra dos milagres que é a nossa, uma outra face, um outro rosto que faz parte de você.

De repente, como tal aconteceu comigo, descobri que tudo o que me faltava estava a minha frente, no calor de um abraço no afago de um beijo, no ardor incontrolável do sexo.

Quem tem esta felicidade de se achar em alguém, não deve apenas comemorar, mas deve sair saudando reis e rainhas, céu e estrelas, pois dentro de você nasceu o milagre da vida em outra vida.

Você acaba de se transportar para outro corpo. Isto é o amor: esta é a outra astuta maravilha..

Quano a mim, o tempo passou e cuidou de levá-la e a mim tamém. Morreu numa tarde radiosa de verão e eu sabia que era minha última chance de conquistar a mim mesmo.Parte de mim se foi..

Agora, sepultada, meus anseios são órfãos, me perco nas avenidas e ruas dos homens.Estou vazio e um íngreme bêbado.

Sei que nada vou achar. Meu espírito também morreu.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 28/04/2006
Código do texto: T146637
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel