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Caso Inversossímil

Caso Inverossímil





Há quem por distração esbarre em outras pessoas. Vi, não me contaram, uma senhora que por distração quase cai de uma ponte mal cuidada sobre um rio a uns cinco metros abaixo. Ela vinha perdida em pensamentos, procurando atribuir forma às nuvens quando aconteceu. Por distração perde-se a hora, dinheiro, discos, provas, canetas, livros, ônibus e até, tem acontecido, amores. Por que digo isto? Por distração, e aí não sei se minha ou dela, aconteceu algo comigo que pode parecer inverossímil: esbarrei em uma borboleta. Vinha caminhando, verdade seja dita, despreocupadamente; dessas caminhadas que de tão ensimesmados nós estamos, somos capazes de cair num bueiro e sumir para todo sempre ( Isso também tem acontecido, li nos jornais ). Agora, caso passado, creio que ela também não estava tão atenta assim no seu caminho. É exatamente aí que me questiono se fui eu que esbarrei nela ou se foi ela quem esbarrou em mim. Nos esbarramos, nos olhamos depressa, não dissemos palavra e fomos embora. Saí pensando: - Ora, onde já se viu, um mundo desse tamanho, tanto céu pra avuá e essa despelotada acha de esbarrar em mim. Ela, por sua vez, acho que saiu resmungando: Esse aí é doido de atirar pedra; onde já se viu esbarrar em borboleta? É cada uma que dá dez !
E assim fomos embora, cada um seguindo seu caminho. Ela, distraída como me pareceu ser, acredito que nem lembra mais do ocorrido. Eu, que não quero levar nome de doido das borboletas que voam por aí, ando ultimamente mais atento. Diz a sabedoria popular que a notícia boa anda, a ruim voa. Se a notícia ruim voa, imagine uma fama levada nas asas de uma borboleta.
Alexandre Valdevino
Enviado por Alexandre Valdevino em 01/05/2006
Reeditado em 02/08/2008
Código do texto: T148376

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Sobre o autor
Alexandre Valdevino
Recife - Pernambuco - Brasil, 44 anos
12 textos (10354 leituras)
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Alexandre Valdevino