Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Diário de Felpudo

31/08/05

Copo compartilhado

Deram doze badaladas no relógio de Candice, então ela se lembrou do remédio que estava quase na hora de tomar.
Colocou água no copo, e como é muita estressada nas idéias, observou que o medicamento não estava próximo. Imediatamente, foi buscá-lo. Ficou até com receio de que tinha esquecido de comprar, mas tinha uma certa esperança de que o tinha abandonado em algum lugar longe das crianças e dos animais domésticos. Foi buscar e achou.
Neste ínterim, o cachorro da casa entra no quarto e lambe a água, pois está com muita sede. Depois sai, porque não tem ninguém para brincar com ele.
Candice chega e toma algum gole e acha o gosto diferente no conteúdo, parecendo que a água estava turva, como se fosse vômito, mas não diz nada, pois acredita que é ação do comprimido com o liquido.
As filhas chegam e gritam:
"Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!”.
O susto foi tão grande que teve um chilique: "Querem me matar do coração?!”
As filhas pediram desculpas e com todo zelo contaram a peripécia do Felpudo. Ao invés de melhorar a tragédia, piorou, porque a mãe passou o dia vomitando.
E o problema se resolveu? Pensou em várias maneiras, mas sem solução, porque escaldar a boca não podia, caso contrário, teria queimadura de terceiro graus. Se passasse desinfetante poderia se envenenar.
Acho que a única solução é esquecer o episódio e seguir em frente e avisar ao animal que cachorro é cachorro e gente é gente.

                                            Adriana Quezado
10/09/05
Bolo sabor de cachorro

Felpudo chegou na cozinha para comer melado, mas só tinha gemas e claras. Como não tinha outro jeito, lambeu as gemas e as claras, que viraram uma omelete em clara em neve.
Mirna, a empregada doméstica, ficou super feliz com a surpresa, julgando ter vindo da patroa. Em agradecimento, fez um bolo.
Aparentemente, o bolo estava delicioso e com excelente aspecto.
Depois do almoço, foi servida a sobremesa. Todos ficaram contentes e serviram-se do bolo. Imediatamente cuspiram o pedaço de bolo de suas bocas, estranhando o mal-feito de Mirna, já que ela é uma cozinheira "para ninguém botar defeito".
Foram dormir e deixaram Felpudo sozinho: perigo constante para as novas travessuras. Ele simplesmente comeu todo o bolo, menos os restos dos donos.
Só mais tarde, vieram os sintomas: diarréias e inquietações.
Como ninguém podia dormir, por causa da inquietação e latidos de Felpudo, deram-lhe chá, que o deixou calminho. Calminho somente até aquele momento.
No dia seguinte, levaram-no para a clinica veterinária, juntamente com o pedaço do bolo, como prova do crime. Não deu outra: o bolo estava contaminado pela salmonela, assim como Felpudo estava infectado.
Quando é que as pessoas vão aprender que bicho é bicho, e gente é gente?

                                     Adriana Quezado

31/10/05

O telefone late – Felpudo ataca novamente 3

Felpudo, o cachorro que de manso e pacífico só tem o nome, escuta o celular tocar. Imediatamente vai em direção ao som. Pega o aparelho e come-o, apertando a tecla “enter”.
Com isso, a pessoa do outro lado da linha ouve uma voz de raiva do possível dono do celular.
Julgando que a pessoa estivesse com algum problema sério, desculpa-a, sem mais nada dizer.
Horas depois, outra amiga da proprietária do celular ligou-lhe, e, da mesma forma da anterior, ouviu um grunhido de ódio, também sem entender o motivo de tanta raiva. Aliás, toda a população da cidade, já tendo logo notícia dos ocorridos ficou sem entender nada.
Pensaram até em internar a dona do celular num hospício ou numa casa de repouso, pois o estado dela era muito grave. Também, com os problemas que ela tinha em casa, era até de se esperar tal atitude.
Nos dias seguintes, todas as amigas se encontraram com a dona do celular, pedindo explicação das grosserias dela ultimamente.
Ela, não entendendo nada, perguntou sobre os dias e as horas que aconteceram as ligações desaforadas.
Responderam com precisão a data e o horário, mas, ela não se lembrava de nada, talvez caso de amnésia ou dupla personalidade.
Perguntou como era a voz. Disseram que era como um grunhido. Com essa informação, estava tudo explicado: “coisa de Felpudo” e pediu desculpas para as amigas e explicou tudo, tendo sigo logicamente perdoada por tratar-se de um lamentável equívoco.
Êta cachorrinho que pelo tamanho parece um santo!


                                         Adriana Quezado




ADRIANA QUEZADO
Enviado por ADRIANA QUEZADO em 01/05/2006
Reeditado em 16/07/2008
Código do texto: T148403
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
ADRIANA QUEZADO
Fortaleza - Ceará - Brasil
202 textos (13850 leituras)
1 e-livros (78 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 19:54)
ADRIANA QUEZADO