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Deus, beleza e suor. II

CONTINUAÇÃO...

Após a vindima, o fruto de tão árdua jornada é colocada no tanque de pisar.
Este tanque está normalmente colocado junto ao lagar, e perto da eira. Sobre ele dorme um centenário telhado de telha portuguesa, para resguardar do sol, água ou poeiras.
Perto uma mesa coberta com uma toalha de linho, branca como a neve, tecido num tear manual, cujos bordados se perdem no tempo das longas noites frias de Inverno, junto á lareira e á luz da candeia, homenageando as mulheres que os seus olhos cansavam sempre com um sorriso na boca, falando das agruras da vida...
  Nesta mesa são colocados os enchidos, os queijos, as frutas, as castanhas da ultima safra, as nozes, a broa de trigo e milho, e no centro um arranjo com parras e flores, saindo dele uma cruz feita em vide.
  Os homens vestem seu fato domingueiro, chapéu descaindo sobre os ombros, cinto vermelho á cintura, e com eles trazem seus instrumentos... a viola, a guitarra, o cavaquinho, o tambor, os ferrinhos, e o acordeão. As mulheres trazem sua roupa domingueira também... Cores vivas, xaile nos ombros, e o ouro descaindo suavemente no seu peito.
  A tarde é de festa...No horizonte, ainda se vê, nesses lindos socalcos salpicos de gente curvada, transportando as uvas, rumo ao fim de uma jornada.
  O Douro, descansa no seu vale, agora dançando calmamente com as sombras que sobre ele descaem, e beijando o sol, nos seus últimos fulgores do dia...Sobre as nossa cabeças, as andorinhas chilreando alegremente, dançam para a vida, dizendo que em breve também partirão, e que com elas levarão tão edílico panorama... mas o perfume... há esse perfume que a terra produz, dos pomares, das flores, da uvas colhidas, preenchem nossos sentidos, despertando o sentido de estar vivo.
  As crianças correm alegremente á volta do tanque, lembrando que em cada vida, nova vida se renova, com alegria, amor e carinho.
  O sol, começa a desaparecer no horizonte, toda a gente espera pela bênção que o padre da aldeia dará a este vinho, que a terra nos deu, e que o homem colheu...
Na entrada do portão principal, foram colocadas pétalas de rosas, nas varandas as colchas cerimoniais, bordadas por alguém que o tempo colheu e que na memória se perdeu, bailam com a brisa, que do douro sopra...
Que a festa comece, grita o patrão...
Esta será a história que depois contarei...Uma festa onde a tradição, o sagrado e o profano, comungam numa mesmo crer.
Bem hajam, e façam o favor de serem felizes
Alma Lusíada
Enviado por Alma Lusíada em 01/05/2006
Reeditado em 01/05/2006
Código do texto: T148490
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Sobre o autor
Alma Lusíada
Portugal
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