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Destino:Brasil

A grande maioria dos habitantes deste solo verde-amarelo é formada por brasileiros-natos.Gente que nasceu do ventre de outros brasileiros de origem indígena ou não,miscigenados ou não.
A imensa população de brasileiros ama as belezas da sua terra,cultua as tradições culturais de seu país e não viveria em nenhum outro lugar do mundo, melhor do que vive aqui,apesar dos pesares...
Sou uma brasileira por destino e opção.
Eu nasci numa terra,onde se fala outro idioma,onde se come feijão branco e não se bebe cachaça.
Mas, eu vivi pouco tempo ali.Ainda, durante a minha infância,trouxeram-me pra cá e ,desde então,iniciou-se a minha trajetória de brasileira destinada.
A primeira coisa que chamou-me à atenção foi naturalmente a diferença de idioma.E não apenas.Mas, o sotaque das mulheres.Trazia os ouvidos habituados a uma melódica e cabal diferença de entonações entre a fala masculina e a feminina.Soava-me esquisita a fonética das senhoras brasileiras.Tanto,que se as ouvisse sem olhar pra elas, teria sérias dificuldades em saber se tratava-se de mulheres ou de homens.Aos poucos,porém, meu ouvido atento familiarizou-se aos sons deste idioma e aos seus diferentes matizes.
Era ,entretanto, uma dificuldade aprendê-lo,entender o que ouvia e poder expressar o que sentia em Português.Foi uma luta.Mas, acabei conseguindo superar as dificuldades.Só então,ultrapassada essa primeira etapa de adaptação às coisas do Brasil,comecei a perceber outras nuances: os brasileiros não pareciam falar todos o mesmo idioma.
Isso,a princípio, deixou-me um tanto confusa.Logo,porém,compreendi que tal fato estava intimamente relacionado à diversidade sócio-cultural reinante aqui.Minhas professoras falavam de um jeito,enquanto a faxineira de casa falava de outro.Parecia estranho,embora muito instigante.
Lá na minha terra todo mundo parecia falar o mesmo idioma,ou eu estaria enganada a esse respeito?Talvez...
Num terceiro estágio de entrosamento com a brasileiridade,percebi que essa diferença ultrapassava o nível da fala ,mas estava também presente nos escritos das pessoas.
Quando eu fiquei mocinha,já uma falante medianamente competente em língua portuguesa,memorizei todos os hinos nacionais(nunca troquei o trecho "Brasil de amor eterno...", pelo "Brasil, um sonho intenso..."),todos os estados e respectivas capitais brasileiras,além de me apressar em  conhecer as regras de acentuação e pontuação desta língua .Afinal,era constrangedor pra mim expressar-me incorretamente no idioma do país tão bonito e de gente tão simpática e alegre,que me acolheu.
Eu aprendi e gostei.
Tornei-me brasileira depois,por opção,já na idade adulta.
Passaram-se nada menos que quarenta e dois anos daquele Março de 1964 ,quando cheguei ao Brasil.Eu penso que evoluí bastante desde então.Pude até conduzir muitos brasileiros mais jovens do que eu ao conhecimento correto de seu  belo idioma .Ainda hoje,porém, confesso-me intrigada e muitas vezes angustiada com a performance lingüística que ouço e leio por aí.
O brasileiro é um povo entusiasmado e ama o seu país.Mas,desafortunadamente esquece que o seu idioma é uma das belezas desta terra de sol e mar e deveria,a meu pensar,dedicar-lhe o respeito que merece.

Zully Oney Teijeiro Pontet
Enviado por Zully Oney Teijeiro Pontet em 02/05/2006
Reeditado em 02/05/2006
Código do texto: T148875
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Sobre a autora
Zully Oney Teijeiro Pontet
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 59 anos
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Zully Oney Teijeiro Pontet