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NÃO É UMA PENA, GEORGE??

“Isn't it a pity
Isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking any more
Forgetting to give back
Isn't it a pity?”
(George Harrison, Isn’t it a pitty?) 

     Hoje, mais do que de costume, meus lados espiritualistas – o que quer dizer , todos – estão mais à flor da pele do que nunca. Assisti pela 5876ª vez o meu DVD predileto: The Concert for George Harrison. Aqueles monstros da música, todos reunidos em homenagem a outro igual , que dispensa apresentações, emociona qualquer mercenário.      
     E essa música, Isn’t it a pitty? , em especial , é algo pra ser ouvido N vezes à enésima potência. E como tudo que é artisticamente bom, faz pensar pra caramba. E eu fiquei com essa coisa na cabeça, obviamente filosofando sobre esse nosso mundinhobosta.com.
Como nossa língua ainda é o português e ninguém é obrigado a saber e entender a famosa língua do dólar, vai uma traduçãozinha livre: “Não é uma pena, não é uma vergonha, como partimos os corações uns dos outros, e causamos dor uns aos outros? Como tomamos o amor uns dos outros sem pensar e esquecendo de retribuir? Não é uma pena?”. Well, George, meu amigo, onde quer que você esteja, estou contigo. É mesmo uma pena. É mesmo uma vergonha. Pena maior porque fazemos tudo isso e ainda achamos que temos razões de sobra pra tanto. Temos um umbigo enorme e é tudo que vemos. Derramamos lágrimas dos outros e elas nos cegam É mesmo uma pena. É uma vergonha. 
     No mundinhobosta.com interessa o eu, o meu e o que ainda posso levar. Great shame… Viramos uns eusoueuorestoébosta@fodam-sevocês.com. Resultado: vamos entrando na vida alheia, criamos vínculos – dá licença, turma do ceticismo e do bloco do BastaEu – mas isso é coisa que mesmo que não se creia em outros mundos e outras vidas, carregaremos até o fim dos dias. Ninguém cria vínculos impunemente. Podemos vir a rompê-los, mas a ligação um dia havida deixou marcas de suas patas na vida de quem andou contigo na mesma praia. Pode fazer um estrago permanente ou virar uma lição, dependendo da habilidade de barman de cada um ( aquela coisa do receber o limão e transformar em caipirinha). 
     Tá bom. Minha gurua das idéias vai até dizer que a gente tem que pensar na gente primeiro. Meu pessoal da área espiritual vai corroborar dizendo que pra fazer algo por alguém você tem que estar inteiro. Tudo bem, I agree. Mas não é uma vergonha mesmo, George, que sejamos tão pequenos? Não é uma pena mesmo, que com tudo que vivemos, ainda não tenhamos aprendido que esta coisa tem duas mãos e que ultrapassagens arriscadas podem matar quem as faz e quem não tem nada com isso? Yes, George, this is a real great pitty and a huge shame.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 04/05/2006
Reeditado em 06/05/2006
Código do texto: T150159

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154037 leituras)
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Débora Denadai

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