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Herança das "tecas"

Adoro coleções! Quando algum amigo me diz que possui mais de quatro objetos da mesma espécie já o incentivo a formar uma "teca";  e aí me esbaldo com biblioteca, videoteca, cdteca, mapoteca, fitoteca (esta não é coleção de fitas VHS, não; é coleção de plantas mesmo).
Mas o que mais me encantam são as coleções de objetos mais antigos. Me fascina aprender história através de "tecas"! Que sejam selos, moedas, documentos históricos, artesanatos, objetos de arte...
Quando entro em contato com esses objetos é como se estivesse sentindo a intensidade de pessoas que sofreram, viveram, amaram, passaram pela vida e sugaram tudo que podiam e, usando um objeto, quiseram nos contar um pouco de tudo que viram. Há, também, pessoas que colecionam por colecionar e passam pela vida sem percebê-la, mas, mesmo sem querer, ao deixar os objetos como herança estão contando o vazio que foi sua vida. É um pouco triste, mas ainda assim muito útil aos que ficam.
Também adoro a possibilidade de contato com objetos preciosos de meus amigos. Na coleção desses bens valiosos está implícita a história dos camaradas e também a relação que têm comigo: confiança, exposição da alma, coerência (ou sua ausência; neste contexto, isso importa pouco) e indícios de sua missão na terra.
Porém, há algo que não adoro nisso tudo: os colecionadores são mal compreendidos. São pessoas que têm que lidar com a implicância de seus familiares ou amigos tecafóbicos que não têm percepção para se conscientizar sobre a importância da coleção e significado que ela assume para quem a desenvolve. Tudo bem que depois de certo tempo a coleção se transforma num estorvo aos familiares possuidores de vista cansada para apreciar a complexidade estática dos objetos, mas, como tudo tem seu preço, a história contada por cada objeto deve cobrar algum sacrifício aos beneficiados, afinal. Os intolerantes não podem esquecer que as "tecas" propiciam desenvolvimento de visão holística; ficamos sabidos ao acompanhar, por intermédio de objetos, acontencimentos históricos. O que seria de nós se não houvesse pessoas preocupadas em resguardar a memória de situações e épocas? Teríamos sempre que começar do zero e não se realizaria a evolução da humanidade.
Por tudo isso, os tecafóbicos deveriam ser mais condescendentes com os tecafílicos e os incentivar a continuar a colecionar impressões que o tempo exprime e imprime nos objetos. Os colecionadores evitam que tenhamos que andar em círculo, tentando reinventar a roda.
Carmem Lúcia
Enviado por Carmem Lúcia em 06/05/2005
Reeditado em 15/05/2005
Código do texto: T15031
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Sobre a autora
Carmem Lúcia
São Paulo - São Paulo - Brasil
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