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GALO BRANCO PAVAROTI

GALO BRANCO PAVAROTI

Mário Osny Rosa


Certo dia, Manoel falou para Maria:
- Ontem estive na cidade e comprei uma casinha, vou desistir de trabalhar na roça, começa a preparar nossas coisas, logo faremos a mudança.
Maria perguntou:
- Porque toda essa presa de se mudar daqui para a cidade? O que vamos fazer com a vaquinha Mimosa e seu bezerro, e o galo branco e ainda mais as galinhas e seus pintinhos, não vi essa casa. Nem mesmo sei se vai caber toda as nossas traias que temos aqui em casa?
- Mulher nessa casa quem manda é o homem, a você só cabe obedecer e fim de papo.
- Olha Manoel hoje em dia as coisas mudaram, a mulher também tem o direito de dizer o que quer e ainda mais decidir do que faz em igualdade com o homem.
- Comigo não tem essa chance quem manda aqui sou e está acabada a discussão.
Nessa altura Maria se conformou, pois Manuel era um homem rude no tratamento com sua amada teria mesmo que aceitar sua decisão.

...

No dia aprazado com o vendedor da casa, Manoel foi à cidade para irem ao Tabelionato escriturar o terreno e a casa e já marcar o dia da mudança, bem como vender tudo aquilo que não era permitido ter na área urbana, chegando lá na casa de Pedro o vendedor do imóvel e diz:
- Senhores Pedro vêm fazer o pagamento conforme foi acertado no dia da compra do terreno e da casa, e ao mesmo tempo fazer a escritura de compra e venda, pois dentro de quinze dias quero trazer a mudança.
- Muito bem senhor Manoel, já providencie todas as certidões necessárias exigida pelo tabelião, para em seguida ser lavrada a escritura. Só tem um, porém o Tabelionato só abre após as treze horas, temos que esperar para fazer isso depois do almoço.
O Manoel concordou com o senhor Pedro:
- Vou até um restaurante almoçar, e depois volto irmos ao Cartório lavrar a escritura.
- Até mais seu Pedro.
- Até logo seu Manoel.
Logo após o almoço Manoel vota a casa de Pedro em seguida vão ao Tabelionato, Pedro fala para sua mulher:
- Ana se arrumar e irmos assinar a escritura.
- Pedro bem que podia ter avisado antes que eu tinha que acompanha-los pensei que isso era só homem que fazia e assinava.
- Não você tem que assinar comigo somos casado no civil o que é meu é teu.
- Nem sabia dessa estória.
Lá foram os três até o tabelionato, o que lá aconteceu todos sabem e nem vou relatar aqui, depois de tudo pronto voltaram para casa tomaram café e seu Manoel combinou com seu Pedro que daquela data em quinze dias estaria chegando com a mudança para tomar posse do imóvel, depois se despediram o seu Manoel voltou para casa.

...

Manoel chega na sua casa, eufórico, com o recibo do pagamento efetuado ao Senhor Pedro, e o recibo da lavratura da escritura e diz:
- Olha aqui Maria está tudo acertado daqui a quinze dias vamos morar na cidade, vai arrumando tudo encaixotando todas a s coisas.
- Como assim Manoel vou encaixotar a vaquinha também?
- Não a vaquinha, o bezerro eu tenho que vender na cidade não é permitido esses animais.
- Não podemos mais tomar café com leite por lá?
- Podemos sim tem leite em pacotes que não estraga, chama-se leite longa vida.
- Mas deve custar muito caro esse tipo de leite?
- Ele é barato.
- O galo Branco e a galinha, e os pintinhos podemos levar, para pelo menos termos uns ovos para comer fritos?
- Sim essas aves vão ficar fechadas num galinheiro, certamente não vão incomodar os vizinhos.
Nesse tempo que antecedeu a partida com a mudança para a nova morada na cidade, seu Manoel e dona Maria se envolveram com os preparativos.

...

Na véspera da viagem carregaram o caminhão com uma lona cobriram todos os apetrechos do casal, o galo branco e a galinha com os pintinhos foram colocados em gaiolas separados sós assim não haveria perigo de algum deles morrerem e foram colocados na hora da partida e amarrado com cordas, seu Manoel perguntou ao motorista Sebastião:
- As aves não vão fugir durante a viagem?
- Não respondeu ele a gaiola está bem fechada eles vão chegar lá inteirinhos.
Seu Manoel e dona Maria dormiram naquela noite na casa de um irmão de Dona Maria. No dia seguinte bem cedo eles partiram de viagem para a nova morada. Depois de duas horas de viagem chegaram na cidade dirigiram para o Bairro Pinheirinho local da nova morada, era um lugar muito bonito com boas ruas calçadas.  No momento de começar a descarregar a mudança foram tirar as gaiolas das aves, qual não foi a supressa o galo tinha desaparecido da sua gaiola seu Manoel perguntou ao motorista:
- Ela estava bem fechada quando você amarrou hoje de manhã?
- Sim respondeu ele e como pode ter fugido, acho que alguém subiu na carroceria e roubou o galo e hoje vai ter uma boa sopa na sua casa.
- Acho que ele pode ter forçado a corda com o bico e a desamarrou.
- Isso pode ser possível coitada da galinha ficou sem o seu parceiro.
Seu Manoel falou:
- Vamos ver se localizamos o galo branco disse em algum lugar.
Como vai ser difícil localizar o galo na segunda parte da Crônica vamos continuar.

 


Ricardo naquela manhã foi cedo à padaria comprar pão, na volta para casa depara com um galo branco perdido na rua, pensa:
- Vou pegar esse galo e levar para casa, pois pode ser o mesmo vitima de um acidente.
O galo estava tonto deve ter caído de algum caminhão, examinou o mesmo e viu que não estava machucado, quando chega anuncia para sua mulher Carolina:
- Olha só o que eu achei na rua agora quando voltava da padaria.
- O que é isso Ricardo um galo branco, seria pior se fosse um galo preto.
- Ele é mansinho, mas aqui no prédio não é permitido ficar com aves você sabe bem da regras do condomínio.
- Eu vou falar com Senhor Francisco dono do terreno no fundo do condomínio para deixar o galo lá até que aparece o dono tem um pé de goiabeira para ele dormir a noite todo dia eu trato ele.
- Mas esse galão não vai causar problema numa área de tantos prédios?
- Acho que não Carolina ele não vai fazer barulho.
- Você acha que não, pode começar a surgir reclamação.
- Reclamação de ele ficar passeando pelo terreno?
Ricardo foi falar com o senhor Francisco, chegando na sua casa falou:
- Senhor Francisco eu hoje de manhã encontrei um galo Branco perdido na rua, e recolhi o mesmo e não queria matar vim pedir se posso deixar no seu terreno no fundo do apartamento que moro.
- Claro pode deixar o galo lá sem problema tem a goiabeira para ele ficar a noite sem que alguma raposa tente abocanhar o bichano.
- Obrigado pela sua gentileza, ao voltar para em casa vou levar o galo para seu novo habitat.
Voltando para casa anuncia para sua mulher que tinha conseguido o local para deixar o galo com o Senhor Francisco, e fala:
- Vou ali no Armazém comprar ração e milho para tratar ele todo dia.
Ao chegar no Armazém ele fala com o Pedrinho:
- Quero dois quilos de ração para engorda para galos e um quilo de milho.
- O que aconteceu seu Ricardo vai criar galinhas em apartamento, explica como isso é possível?
- Hoje encontrei um galo perdido na rua estava meio tonto peguei o mesmo e levei para casa, falei com o Senhor Francisco e ele cedeu o terreno cercado no fundo do Bloco de apartamentos para eu deixar o galo lá até eu achar o dono e se não achar fazer um gostoso risoto algum dia.
- Um galo sozinho pode morrer de tédio Senhor Ricardo, ele gosta de viver acompanhado de pelo menos uma galinha.
- Isso é verdade, se isso acontecer vou comprar uma galinha para fazer-lhe companhia.
Depois de pagar a conta dirigiu-se para sua casa onde apanhou o galo e levou para o local que tinha conseguido, numa caixa deixou ração e milho para o mesmo comer e, em uma vasilha deixou água para ele beber debaixo do pé da goiabeira. Voltou para casa pensando:
- Será que ele vai se dar bem na nova moradia ou vai estranhar antes morava num galinheiro com poleiro para dormir e acompanhado de muitas galinhas agora vai ficar só.
O galo branco na sua primeira noite na nova moradia dorme num galho da Goiabeira coisa que estava acostumado no galinheiro. De uma coisa o galo não tinha esquecido era de acordar o seu antigo dono e iria continuar a fazer naquele lugar mesmo sendo na cidade e foi o que aconteceu pela uma hora da manhã ele canta pela primeira vez, Carolina acorda Ricardo e fala:
- Não disse que esse galo vai provocar um rebú nesse condomínio ele cantou pela primeira vez isso à uma hora da madrugada e logo vai cantar as três e seis horas da manhã, que só ver hoje de manhã as reclamações no apartamento do sindico de cada prédio.
- Acho que não vai acontecer nada esse cantinho acordou você porque já veio dormir pensando no canto do galo eu nem ouvi fiquei sabendo porque me acordou.
- Vamos ver o que acontece amanhã cedo.
Voltaram a dormir e, quando chegou às três horas o galo canta pela segunda vez, e novamente Carolina acorda Ricardo:
- Escutou agora ele cantou novamente deve ter acordado todo mundo nos apartamentos.
- Tenho certeza que nada disso aconteceu mulher todos tem o sono pesado e não se acorda nem com um trovão.
- Isso é você que pensa a coisa vai ficar preta, quando souberem que você é o dono do galo.
- Repete seu canto e finalmente cumprindo seu ritual às seis horas da manhã anuncia o amanhecer do dia.
Carolina no dia seguinte de manhã quando saiu no corredor para levar o lixo, lá estava a maioria das mulheres xingando o tal galo que catou três vezes na madrugada e acordou a maioria das mulheres que tem somo leve por terem crianças para atender, uma perguntava para a outra se sabiam que era o dono daquele Galo cantor numa hora da noite tumultuando a vida de todos, mas ninguém sabia nada e lá estava a Dona Marquinha fula da vida e disse:
- Vou fazer queixa na Delegacia desse galo maldito o Delegado vai ter que tomar providência, ele até parece o Pavaroti quando faz a voz de tenor, com esse galo ninguém vai ter sossego aqui no condomínio.
- Dona Josefa também dá a sua opinião sobre o Galo Pavaroti segundo Dona Marquinha, ela acha que vai ser difícil o delegado resolver o problema, pois ninguém sabe que é o responsável pelo galo e ele está num cercado e ninguém pode ir lá matar ele sem o consentimento do proprietário, alguém sabe que é o proprietário do lote?
Ninguém responde nada e todos ficaram sem saber o que fazer, mas Dona Marquinha confirmou:
- Logo que a Delegacia estiver aberta vou falar com o Dr. Delegado. Isso não pode ficar assim.
Carolina tudo ouvia quieta só pensando com seus botões:
- Bem que eu tinha falado para o meu marido que esse galo ia dar problema, mas uma coisa ele ganhou um nome das mulheres indignadas do bloco e que belo nome Pavaroti.
Ela retornou para seu apartamento e foi colocar o café na mesa para seu marido e quando tomavam café ela falou:
- Ricardo você não imagina a confusão que deu hoje quando fui levar o lixo lá estava a mulherada xingando o tal galo cantador, Dona Marquinha disse que vai a Delegacia pedir ao Dr. Delegado que resolva o problema do galo, ela até já arranjou um nome para, Galo Pavaroti, já Dona Josefa advertiu que ninguém sabe de quem é o galo e ainda mais não se sabe de quem é o terreno que o galo está morando, eu escutei tudo e fiquei quietinha, bem que te falei esse galo iria dar complicação.
- Vamos ver o que acontece mulher depois da queixa feita na Delegacia e que providência vai toma o Dr. Delegado.
Ao meio dia lá estava todo pessoal querendo conhecer o famoso galo Pavaroti, cada um dava uma opinião, do que fazer com aquele cantor famoso a mais hilariante: vamos conseguir uma galinha para fazer companhia para ele; outro dizia, vamos matar ele e fazer um risoto; um Senhor de idade disse:
- Se matarmos o galo a estória vai acabar o melhor seria consegui umas galinhas e garantíamos os ovos que seria distribuídos entre os moradores do Condomínio.
Um garoto falou:
- Esse galo solucionou um problema meu que era de acordar o meu pai às seis horas da manhã, deixem o galo cantar para isso que ele veio ao mundo.
Nesse momento passa pelo local, Dona Marquinha que voltava da Delegacia ela tinha ido lá pedir ao Dr. Delegado que tomasse providência quanto ao galo cantador que ela tinha denominado de Pavaroti e logo perguntaram; qual foi o resultado da sua queixa ela falou:
- O doutor Delegado que no seu código não encontrou algum artigo que proíba galo cantar a noite e muito mais num terreno baldio que ninguém sabe quem é o dono, bem como quem colocou o galo por lá, agora nem sei o que fazer vamos nos acostumar com o galo cantor, vamos rifar todos os despertadores do condomínio para uma entidade beneficente ele não tem mais serventia em nossos apartamentos.
Ricardo que tudo acompanhava ficava pensando:
- Vou arranjar uma galinha para fazer companhia para o galo, que sabe posso recolher alguns ovos por semana.
Como era hora do pessoal trabalhar lentamente foram dispersando e lá ficou o galo cantor assustado com todo aquele movimento.

São José/SC, 04 de maio de 2.006.
morja@interagte.com.br
www.mario.poetasadvogados.com.br
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Enviado por Asor em 04/05/2006
Código do texto: T150518
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