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Matemática moderna???


     Não se assustem... Não é um bicho de sete cabeças, apenas algumas considerações sobre a vida.
     Anos atrás as coisas eram diferentes. O ensino em escola particular era considerado bem mais fraco do que em escolas públicas. Terminado o quinto ano primário numa escola particular, passou por um exame de admissão e entrou numa escola pública. Tudo era novidade! Localização da escola, cruzar a cidade de ônibus, colegas, professores...
     Em algum lugar da memória guardamos lembranças da professora de matemática, simpática, muitas vezes ríspida, outras do tipo víbora quando não se entendia a matéria ou não se acertava o exercício. Muitas vezes por absoluto desconhecimento, as mães abanavam a cabeça e faziam coro: “Ah! Essa matemática moderna!”  Aquelas aulas pareciam futurologia, se viajava... era simples corpo presente em sala de aula e mente ausente, bem ausente. Conjunto vazio, está contido, não está contido, pertence ou não pertence, etc, e se pensava: Qual o sentido de tudo aquilo? Quanta perda de tempo! diziam as mães, não seria muito mais lógico gastar o tempo aprendendo multiplicações, divisões, somas e subtrações? Olha que simples!  1 + 1 = 2, 2 x 2 = 4. Isso era do tempo delas.
     Dona Vera, professora de matemática, desenhava na lousa um círculo e o denominava conjunto vazio. Outro círculo com alguns bonecos era o conjunto da família, ou dos bichos, frutas, dos números racionais, irracionais e por aí a fora. Na época não se entendia os por quês.
     Hoje tudo faz sentido. Eu = conjunto vazio, estranho?
- É isso mesmo VAZIO, e sem um conjunto correspondente que possa pertencer, estar contido, unido, etc. Isso não quer dizer que em algum momento estejamos ocos, sem sentimentos ou coisa que o valha.
     Olhando pela ótica matemática, durante a semana trabalhamos, estudamos, brincamos... “Conjunto de atividades”. Mas tem vezes que o fim de semana parece um “conjunto vazio” sem correspondência com o “conjunto atividades”. Tudo e todos somem, evaporam... Ligamos para amigos e nada, procuramos familiares e... Saíram ou se esconderam ou fugiram, enfim sumiram também. Andamos pelas ruas e nenhum rosto conhecido, apenas o som de nossos próprios passos, o trotar de algum cachorro, carros passando muito rápidos sempre com pressa de chegar nalgum lugar, até o sol nessas horas se esconde em vez de aquecer nossa alma. Estranha essa sensação, parece uma conspiração dos céus.
     O que fazer? Como transformar esse conjunto vazio num conjunto ocupacional mais racional? Podemos ir a um parque, cinema, shopping, ouvir música, assistir a um filme, mas quando encontramos um conjunto que pertence, ou está contido ou que tenha seu correspondente tudo fica bem mais interessante, aí as horas passam e percebemos o sentido matemático da vida. Até que as aulas de Dona Vera não foram de todo ruins!
Beatriz Knorr
Enviado por Beatriz Knorr em 09/05/2006
Código do texto: T152993
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Sobre a autora
Beatriz Knorr
Cotia - São Paulo - Brasil, 61 anos
43 textos (4482 leituras)
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Beatriz Knorr