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O TÚNEL DO TEMPO

À vezes, nos meus dias de nostalgia, quando eu vejo a velhice se aproximando como um cão perdigueiro amarrando a sua presa, numa fuga, regresso ao passado, como se entrasse no túnel do tempo e faço uma viagem maravilhosa. Nessas horas parece-me a mim que busco no passado forças para os meus músculos já combalidos, inspiração para minha alma às vezes ferida, luz para o lusco-fusco dos meus sonhos quase mortos.
E começo a viagem. Etapa por etapa vou registrando fatos, recordando episódios, revendo velhos  amigos  – mortos e vivos – personagens da história da minha vida.
Nessa caminhada de retorno eu vou me surpreendendo com momentos deliciosos: lugares, fatos , episódios, pessoas; restauro monumentos, rejuvenesço velhos, ressuscito mortos, relembro a vida e vou me enchendo de muita saudade.
Mas é na adolescência que eu me detenho a contempla-la extasiado, embevecido, como um menino que vê um brinquedo que não pode mais tocá-lo.
Eis-me ali na mais bela praça do mundo – a praça encantadora da minha adolescência e palco das minhas mais gratas recordações: Dois coretos belíssimos de onde se ouviam as retretas entoando dobrados em competição. Qual a melhor banda? A Lira dos Artistas ou a Filarmônica Filhos de Apolo? E nós as ouvíamos enquanto brincávamos, descuidosamente, no imenso tapete de conchinhas da nossa amada Praça da Purificação: Picula, pião, chicotinho queimado, bola de gude eram as nossos diversões e os nossos vícios; pretos e brancos, ricos e pobres, todos nos misturávamos  numa homogeneidade eclética e quase perfeita:  Rodrigo Leal, Zé Pequeno, Rogério Rego, Nego Lustroso, Valter Ratinho,  Jamú, Pedrinho Muricy, Nego Dudu, Pamí, Rodrigo Salles,  Afonsinho,  Layrton   ( Ah!  Layrton  –  o Buck  Jones – a maior versatilidade em esportes que eu já conheci e um humorista de  primeiríssima água) ...
É hora de voltar ao presente. O cão velhice está  ansioso para agarrar a sua presa. Não devo me fazer de rogado. Eu vou. Que jeito? Mas deixo o meu protesto e vou com muita saudade.


Raymundo de Salles Brasil
Enviado por Raymundo de Salles Brasil em 10/05/2006
Código do texto: T153495
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Sobre o autor
Raymundo de Salles Brasil
Salvador - Bahia - Brasil, 83 anos
237 textos (6826 leituras)
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Raymundo de Salles Brasil