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Batom Cor-de-rosa


               No período de férias, os pais ficam meio atordoados, sem saber o que fazer para canalizar tanta energia das crianças em casa. O dia torna-se longo demais! O jeito é sair, passear com elas. Fazer alguma viagem, por menor que seja.
               Elena  precisou dar tratos à bola, a fim de elaborar um projeto de atividades para as férias das duas filhinhas, Raquel com sete anos e Fernanda com cinco. Viajar estava fora de propósito porque ainda curtia o resguardo do terceiro filho.  Depois de muito matutar, o “insight”: pintura! Isto mesmo: aulas de pintura!
               Arranjou fácil, perto de sua casa, uma professora de pintura em pano. Fez-se a matrícula. E como a rainha do lar teria que levar as pequenas, matriculou-a também. Comprou o material necessário e todos os dias iam as três  para a  colônia de férias, dizendo melhor, para a aula de pintura.
               As aulas aconteciam numa sala onde havia uma mesa comprida e, ao redor, sentavam as alunas. A mestra dava as explicações iniciais; a seguir, as discípulas obedientes começavam o trabalho. Deviam seguir um só modelo, colocado no centro da cabeceira, de modo a que todas seguissem, passo a passo,  as ordens pictóricas e cromáticas da mestra, sempre rondando a mesa, a fiscalizar o trabalho de cada uma.
               Fernanda ficava impaciente. A menorzinha da turma não via muito fundamento naquelas rígidas regras  ditadas pela professora. Queria ser livre para pintar da maneira que lhe viesse à cabeça.
               — Hoje vocês vão desenhar um pato. — disse a professora. — Vamos começar e terminar o trabalho juntas.
               Quando deu umas duas voltas ao redor da mesa, a professora verificou que Fernanda já aplicara as cores no desenho  de acordo com a imaginação.
               — Fernanda, veja a cor com que você pintou o bico do pato! Eu estou determinando as cores! Você, algum dia,  já viu pato com bico cor-de-rosa?
               A menina, no início, ficou  meio constrangida por ter sido repreendida perante as colegas, mas  logo se viu refeita ao manifestar o fundamento do seu projeto cromático:
               — Professora, é que ele passou  batom! Ele gosta! O que eu vou fazer?
 
fernanda araujo
Enviado por fernanda araujo em 11/05/2006
Reeditado em 18/08/2011
Código do texto: T154446
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
fernanda araujo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil
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fernanda araujo